UM NATAL IMPRUDENTE
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UM NATAL IMPRUDENTE
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Tive alta do hospital
Na tarde de vinte e três:
Meu "neto", mais uma vez,
Tão feliz quanto um pardal,
*
Foi buscar-me, atento e recto,
Umas caixas de injecções
Que doem como ferrões
Quando em mim mesma as injecto
*
Ainda convalescente
Mas livre, enfim, da prisão,
Cantava o meu coração,
Embora fraco e doente,
*
Por ir passar o Natal
À minha amada casinha
E ao lado de uma gatinha
Que tem por nome Mistral
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Na confusão da alegria
Qualquer coisinha escapava,
Mas quem é que se lembrava
Do que havia ou não havia?
*
No fim todos se esqueceram,
Todos, todos sem excepção,
Que eu ficaria sem pão
Porque pão me não trouxeram
*
E tudo o que em casa tinha,
Para o bem e para o mal,
Era a ração da Mistral
E uma velha bolachinha...
*
Assim não tive remédio
Senão arriscar a vida
Para ir comprar comida
A cem metros do meu prédio...
*
Aos tropeços avancei
E por fim lá consegui:
De fominha não morri
Porque alimentos comprei!
*
Tivesse eu sido prudente
E ontem, noite de Natal,
Só a ração da Mistral
Teria levado ao dente...
*
Mª João Brito de Sousa
25.12.2025
***
FELIZ NATAL para TODOS vós!![]()
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