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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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REDENÇÃO

28.06.19 | Maria João Brito de Sousa

REDENÇÃO.jpg

REDENÇÃO

*

 

Indeciso, é sempre a custo

Que te vejo dar um passo;

Nada fazes do que eu faço,

Por tudo e nada te assusto...

Sendo tu alto e robusto,

És paradoxalmente lasso

Pois sempre te fica o braço

Caído ao longo do busto,

Tão inútil quanto arbusto

Que flutuasse no espaço....

*

 

Redimo-me ao redimir-te,

Mas não sei que voltas dar-te

Quando tu por toda a parte

Vês o mal a perseguir-te...

Com tal medo a consumir-te,

Não tenho como ajudar-te

Pois faltam-me engenho e arte

Pra saber redefinir-te;

Do que rio, não sabes rir-te,

E eu recuso-me a chorar-te!

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 28.06.2019 – 11.23h

 

*

 

Imagem retirada daqui

4 comentários

  • É um poema em décimas de redondilha maior, Janita

    As décimas, pela sua longa estrutura e pela sua cadência repetitiva, têm frequentemente esse efeito que refere como mágico, quase encantatório....

    E tem razão. Também eu penso que a redefinição ficou feita, bem como a redenção do personagem que, neste caso, é masculino e fictício.

    Este poema tem uma longa, longa história ; em tempos, quando eu via um pouco melhor e ainda produzia poemas a uma velocidade vertiginosa, criei, no Horizontes da Poesia - um site de poetas e escritores no qual trabalho há muitos anos - um personagem chamado Zé Faz-de-Conta, um conquistador incorrigível, mas um tanto fala-barato e muito bebedolas...

    Eu, no papel de Zé Faz-de-Conta e a poetisa Dulce Saldanha, no papel de esposa abandonada, criámos verdadeiras peças de teatro capazes de fazer chorar - ou rir à gargalhada... - as pedrinhas da calçada.

    Quando as nossas poéticas discussões se prolongavam muito, outros poetas do HP acabavam por intervir criando os seus próprios personagens secundários, que ora tentavam reconciliar o desentendido "casalinho", ora o acicatavam ainda mais...

    Foram belos tempos, aqueles... e não tão distantes como possa parecer. Mas claro está que isto nos exigia uma imensa destreza poética e um repentismo vertiginoso que o tempo e as mazelas nos foram roubando...

    Eu lá consegui redimir o estropiado Zé Faz-de-Conta e a Dulce ressuscitou a sua refilona esposa abandonada, mas receio bem que nunca mais consigamos voltar a criar àquele ritmo alucinante em que já criámos quando conseguiamos produzir cinco ou seis sonetos por dia, cada uma de nós respondendo ao soneto da outra...

    Belos tempos!

    Obrigada e um beijinho grande, Janita
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    29.06.19

    Bom dia, Mª João.
    Muito interessante, isto que me conta! Eu, uma apaixonada pelo improviso criativo de qualquer forma de arte, fiquei fascinada.
    Devem ter sido tempos muito gratificantes, esses.

    Assim, sinto que vou ficando mais enriquecida de conhecimento e saber. Muito obrigada!

    Sabe que me lembrei logo de uns diálogos radiofónicos, muito engraçados, que tinham como personagens principais o Zequinha e a Lelé, interpretados pela Irene Velez e o Vasco Santana?

    Andei a ver no Youtube se haveria algo para mostrar à Mª João e encontrei isto.

    https://www.youtube.com/watch?v=n2NOKPczaBo

    Será que se lembra de ter ouvido, algum episódio?

    Um beijinho e o meu sincero agradecimento.

    Janita.
  • Muito obrigada, Janita!

    Estou agora a ouvir a "Dieta" que fez retinir qualquer coisa lá nos confins do meu baú das memórias de infância. Não me reordo de nenhum episódio em particular, mas lembro-me muito bem destas vozes e destes divertidos diálogos...

    Outro grande beijinho
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