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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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PARÁBOLA DA FIANDEIRA E SEUS NOVELOS BRANCOS

29.07.25 | Maria João Brito de Sousa

a fiandeira (1).png

Imagem processada pelo ChatGPT

*

PARÁBOLA DA FIANDEIRA
E DOS SEUS NOVELOS BRANCOS
*

Dobava brancos novelos

Da lã mais quente e macia

Que naquela aldeia havia...

(ninguém podia era vê-los...)

Dobravam-se-lhe os cabelos

Em tamanho, e - que ousadia! -

Quanto mais envelhecia

Menos podia esquecê-los...

Foi dobando até esquecer-se

E esqueceu-se até perder-se

Nos seus novelos de lã

Quando umacerta manhã,

Já cansada de assim ver-se,

Cortou os cabelos cerce...

Grita uma: - Ensandeceu!

Se não podia mantê-los

Devia optar por sustê-los

Num "puxinho", como o meu...

Dizem outras: - Que sei eu?

Curtos, ficam tão singelos

E para quê qu`rê-los belos,

Quando assim se envelheceu?

Cortou cerce a cabeleira,

Mas depressa aconteceu

Que ela em dois dias cresceu

E ficou de novo inteira...

Volta a velha fiandeira

Ao ofício que era o seu:

Outro novelo nasceu 

E outro e outro... uma carreira

De enoveladas madeixas

Que em vez de trazerem queixas

Lhe traziam alegrias...

Fia o teu branco tesouro

Que antes branco do que louro

Se quer aquilo que fias!

A velhinha atarefada

Doba ainda, ensimesmada

E, perdida no vazio,

Esvai-se a voz do mulherio

Que, bem alta, ou sussurrada,

Fala, fala e não diz nada...
*


Maria João Brito de Sousa

25.07.2016 - 15.34h
***

 

Composição poética reformulada e aumentada

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