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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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O POETA EM CONSTRUÇÃO

04.06.16 | Maria João Brito de Sousa

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O POETA EM CONSTRUÇÃO

 

 

(Décimas)

I

 

Deixai-o crescer, deixai-o,

que um poeta com talento

faz, do trabalho, argumento

e como qualquer catraio

vê crescer, de Maio a Maio,

quantos ossos são sustento

do seu corpo em crescimento,

tanta vez sem prévio ensaio

quando a sorte, de soslaio,

lhe dá escória por cimento.

 

II

 

Se persiste, há-de crescer!

Sobre os versos que construa

hão-de brilhar sol e lua

quando um dia alguém o ler,

pois tanto traz pra dizer

que não haverá poder

que se oponha a que se instrua

e da força em que se estua

nunca se há-de arrepender!

 

III

 

Escava a cama da sapata,

bem funda, que a fundação

demanda a força da mão

e a noção mais do que exacta

de que a tua mão contacta

com a mão que amassa o pão

quando assumindo a função

em função de quem contrata

a mão que escava e que acata

o rigor da construção,

 

IV

 

Mas também à mão que escreve

podes dar a mão sem medos

que também moldam seus dedos,

do que tem, quanto te deve

se a estar contigo se atreve

e, pra ti, não tem segredos,

nem te envolve em vis enredos

que outras tecem quando, em greve,

tua mão bem alto eleve

seu protesto, os teus degredos!

 

V

Deixa crescer o poeta,

dá lugar à Poesia,

pois também há mais-valia

numa estrofe quando, erecta,

assume a força concreta

e não esquece a teoria!

Jorna a jorna, dia a dia,

exaltada, ou mais discreta,

burila e escava e completa

o que outra mão calaria!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 04.06.2016 - 19.16h