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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

MISÉRIA ENDÉMICA - Reedição

03.01.26 | Maria João Brito de Sousa

miseria endémica (1).png

Imagem do ChatGPT

*

SEIS DÉCIMAS PARA BEM AUSCULTAR E DIAGNOSTICAR AS OCULTAS CAUSAS DA POBREZA SOCIAL ENDÉMICA,
SEGUNDO A BOA PRÁTICA DA MEDICINA POPULAR
***

 

Com quantas lágrimas verte,

Com quanta dor te arrebanha,

Te aborda e depois se entranha,

Vem a miséria que, ao ver-te,

Te condena, te perverte,

Faz de ti farrapo humano,

Te lança no desengano,

Te desgraça, te desdenha,

Te transforma em coisa estranha

Pr`a melhor poder perder-te!
*

 

Vem, quando menos sonhavas,

Infiltrar-se, sorrateira,

Estudando a melhor maneira

De açambarcar quanto amavas,

De negar quanto aspiravas,

De minar-te a resistência

Quando, com estranha insistência,

Te obriga a ser`s quem não queres,

Desmentindo o que disseres

Pra tomar-te a dianteira…
*

 

Muito poucos voltarão

A dar-te o valor que tens,

Que ela não rouba só bens,

Muda, inteira, a condição

E, além de tirar-te o pão,

Coloca-te uma etiqueta

Das que abundam na sarjeta

Dos humanos preconceitos

Onde alguns poucos “eleitos”

Encontram fama e razão…
*

 

Quanto mais dúbia, mais duro

Se torna o jugo que impôs

Sobre a voz da tua voz

Quando aperta, furo a furo,

O cinto com que o esconjuro

Te abraçou nesse momento

Em que, sem outro argumento,

Te afastou de quanto amaste

E logo, em claro contraste,

Te impõe seu próprio futuro
*


Pois assim que essa armadilha

Por elites preparada,

Tão fatal, tão bem estudada,

Que nem a própria partilha

Bloqueia os rumos que trilha,

Se estende tão triunfante

Como se fora gigante

De bocarra escancarada

Cravando, pela calada,

A dentuça acutilante
*

 

E, munida de mil manhas

Bem escondidinhas na manga,

Faz, de amigo, um seu “capanga”

Com duas ou três patranhas

De opacidades tão estranhas,

Que, nas malhas enrededado,

Já nem sabes pra que lado

Te empurra essa dura canga:

Se prá fome ou se prá tanga

De quem, de ti, faz “coitado”!
*

 

Maria João Brito de Sousa
*

15.11.2013

***

 

 

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