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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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LOUVOR DE OURO DA ACADEMIA VIRTUAL DE LETRAS

20.11.15 | Maria João Brito de Sousa

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ANIVERSÁRIO DA DATA DO FALECIMENTO DO MESTRE ANTÓNIO ALEIXO

 

Patrono: Manuel Maria Barbosa du Bocage

Académica: Maria João Brito de Sousa

Cadeira: 06

 

A TORPE SOCIEDADE ONDE NASCI

 

 

I

Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.

II

Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava p'ra o martírio!

III

Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...

IV

E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!

V

Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte...



António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

 

EU

 

I

Ao ver, duma criança que brincava,

Do gesto, a natural vivacidade,

Senti que desta vez me emocionava

"Pensando que já fui daquela idade."

 

II

E que alegrias tive... ou que loucura!

Fui poeta-menina, ardi, qual círio,

No verbo em chama, ao som da partitura

"Que o mundo me criava, pr`ó martírio."...

 

III

 

Depois, já crescidinha, é que entendi

A força que há num rio que alcança a foz

Tão farto como o meu, tal como o vi,

"De ser vítima humilde ou ser algoz..."

 

IV

 

Mas se, hoje, me norteia a poesia,

E, em quaisquer tribunais, me sinto ré,

Sei bem que culpa alguma sentiria

"Se o mundo fosse bom - como não é!"

 

 

V

 

E, sem hesitação, escolho o meu norte!

Eu quero lá saber de quem me diga

Que oponho corpo e alma a quem me obriga

"E que me mato por ter medo à morte..."!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 10.11.2015 - 15.10h

 

 

 

Postado em 20 novembro 2015 às 8:47

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