IMPROVISOS
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IMPROVISOS
ou
JANGADA
*
“- Eu remo, meu capitão,
Mas, cá por dentro, o meu medo
Vai-me soprando, em segredo,
Rumores de rebelião
Que dizem que remo em vão,
Que ali em frente um rochedo
Nos abalroa tão cedo
Quão tarde eu diga que não...
Forças de braço e de mão
Não nos bastam... reze um credo!”
*
“ - Cala a boca, remador
Que agoiras tal desventura!
Não cabe à glória futura
Ter espaço pra medo ou dor
E eu, que sou teu superior,
Exijo-te compostura,
Remada firme e segura,
Coragem, esforço e suor!
Esquece os presságios de horror
E obedece, criatura!”
*
Três ondas não são galgadas
Eis que um rochedo letal
Vem pôr um ponto final
Nas controvérsias lançadas,
Porque, prás ondas, são nadas:
Medo ou glória... é tudo igual...
Gigantes de água com sal,
Não são partes int`ressadas
Das causas reivindicadas
Por carne humana e mortal
*
Porém, nos versos que escrevo,
O enredo é todo meu
E eu juro que não morreu
O que remador a quem devo
As braçadas em que o levo
Ao ponto onde ele concebeu
Com madeiros e um pneu,
Qualquer coisa a que me atrevo
Chamar, com estúpido enlevo,
Jangada... e vinda do céu!
*
Enredos efabulados,
Vindos de onde eu decidir,
Mesmo absurdos, podem vir!
Há sempre uns versos criados
Nos dias mais inspirados
Que enquanto a rima fluir
Não nego a quem mos pedir...
Aqui vos deixo, contados,
Uns versitos mal forjados
Com metro pronto a escandir.
*
Maria João Brito de Sousa
18.01.2015
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