CRUZANDO O RUBICÃO
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CRUZANDO O RUBICÃO
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Já terão todos migrado
Deste bairro hoje fantasma?
Serei eu um ectoplasma
Que expirou sem ter notado?
Está vazia, a casa ao lado...
No Sapal paira o miasma
De uma solidão que pasma
O mais bem acompanhado...
Que é do sapinho encantado
Que tanto me entusiasma?
*
Percorro as ruas vazias...
Nem o vento me acompanha
Nesta caminhada estranha
E as horas tornam-se frias,
Pesadas como manias
Que alguém, tendo, não detenha
Por ser tarefa tamanha
Que só as melancolias
A igualam, nalguns dias
Em que alguma em nós se embrenha...
*
Nem vivalma! E percorri
O Sapal todo inteirinho
Sem vislumbrar um sapinho
Dos tantos que havia aqui...
Nem notei mas, sim, morri
E este é um outro caminho,
O tal que se faz sozinho
Quando nos vamos daqui...
Não fui eu que decidi
E, para trás, deixo um ninho
*
Mas não tenho alternativa...
Não posso dizer que não
Estando em decomposição
O corpo no qual fui viva
E, hoje, sou alminha à d`riva...
E agora? Que direcção
Me aponta este coração
Que não pulsa, nem cativa?
Espero encontrar comitiva
Que me leve ao Rubicão!
*
Mª João Brito de Sousa
17.01.2026 - 14.20h
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