.EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

"ÃOS" & "ADES"

ÃOS e ADES.png

“ÃOS” & “ADES”

*

(Décimas)

 

I

Basta de toxicidade!

Tanta desinformação

Só nos traz é confusão...

Por onde passa verdade

Se a verdade é que se evade,

Aos poucos, da nossa mão?

Vejo é manipulação

Da nossa humana vontade...

Nada há que menos me agrade

Do que toda esta inversão

 

II

 

Dos preceitos da razão

E da nossa idoneidade.

Onde estás, ó liberdade

De julgamento e de acção

Se sujeita à suspeição

E às grilhetas da saudade,

Só recordas  falsidade

E a falta de isenção?

No olho do furacão

Da devassidão de Sade?

 

III

 

Venha mais honestidade

Pôr cobro a tal maldição!

Sem saber se sim, se não,

Sem raízes, nem idade,

Não vem o campo à cidade,

Nem a cidade tem chão

Onde se estenda um colchão

Pra morrer com dignidade;

Mora a pura ansiedade

Neste espaço em convulsão

 

IV

 

Onde mesmo a diversão

Perde a sua alacridade

E conduz a sociedade

À grande alienação,

Já que irmão agride irmão

Sem causa, nem piedade,

Com toda a brutalidade

E sem grande hesitação.

“Sempre assim foi”, pensa então

Quem assiste à mortandade

 

V

 

Com a naturalidade

De quem canta uma canção,

Ou compra uma promoção

Barata e sem qualidade

Por bem menos de metade

Do custo de produção...

Haverá comparação,

Ou será que a realidade

Preza a conflitualidade

E lhes nega uma outra opção?

 

VI

 

Não mudo de direcção

Que esta minha sobriedade

Não sente a necessidade

De, pra já, meter travão...

Vejo mal, mas a questão

Não está na visibilidade

E sim na capacidade

De, dessa limitação,

Ter a perfeita noção,

Actuando em conformidade;

 

VII

 

Assim, perco em quantidade

O que ganho em devoção,

Mas a minha obrigação

É manter serenidade

E alguma objectividade

Enquanto cumpro a função

E renego a tentação

Da frustração que me invade

Quando, em plena claridade,

Vejo o breu da escuridão

 

VIII

 

Sem encontrar explicação

Pra tanta desigualdade...

Palpo ainda a densidade,

Mas não palpo a pulsação

De quem diz ter compaixão

Por esta comunidade

Que eu, há uma eternidade,

Amo, torrão a torrão,

Palmo a palmo, grão a grão,

Com toda a sinceridade

 

IX

Serei, talvez, raridade,

Ou apenas a excepção

Que leva à confirmação

De uma generalidade...

Sou-o de livre vontade,

Jamais por imposição,

Pois todo o meu coração

É um hino à liberdade;

Toda sou genuinidade

E, às vezes, contradição,

 

X

 

Mas quer tenha, ou não, razão

Dar-lhe-ei continuidade;

Meia de mim faz metade

De uma só, que faz questão

De viver na solidão,

Por mais que vos desagrade

Esta peculiaridade

Que julgais provocação,

Quando é somente a assumpção

Desta minha identidade.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 20.11.2018 – 11.11h

 

 

Imagem retirada daqui


rematado por Maria João Brito de Sousa às 11:16
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5 comentários:
De jabeiteslp a 20 de Novembro de 2018 às 21:02
Inspiração de puro e versátil momento
neste nosso alento
de assim ser com olhos abertos de ver

Boa e feliz noite aconchegada
e Beijinhos de aqui




De Maria João Brito de Sousa a 20 de Novembro de 2018 às 21:24
Obrigada, Anjo!

Que tenhas, também, uma serena e repousada noite.

Beijinhos


De Azoriana a 30 de Novembro de 2018 às 15:02
Olá! Prepara-te para o décimo aniversário deste: "MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO".
Parabéns! Andei passeando por aí e encontrei a data de criação. Fiquei feliz por este encontro.


De Maria João Brito de Sousa a 30 de Novembro de 2018 às 15:16
Ah! Obrigada, Azor!

Perdi o rasto ao nascimento deste blog... sei que o Poetapokedeusker nasceu a 14.01.2008, mas não me recordo de nenhum dos outros...

Abraço grande.


De Maria João Brito de Sousa a 30 de Novembro de 2018 às 15:23
Já vi que nasceu a 01.12.2008 com uma publicação em branco,à qual se seguem muitas outras publicações em branco, rsrsrs...

Devo ter levado algum tempo a decidir-me a dedicá-lo à poesia em redondilha maior...


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