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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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CADA POEMA

17.09.10 | Maria João Brito de Sousa

 

Cada poema

Tem asas de papel nascendo incertas

Como velas rumando à descoberta

Da Ilha de S. Nunca da partida


Quando ressurge,

Muito embora vencido é temerário

Como a luta tenaz de cada operário

Que aspira à igualdade prometida


Onde um termina,

Começa um outro verso inevitável,

Cada um deles gerando um infindável

Rosário das memórias de uma vida…


Cada poema

Tem alma de mulher, corpo de chama

De aonde irrompe a voz que então proclama

O culminar da luz na pele rendida


Cada poema

É raiva, urgência, amor,

Silêncio, grito e voz da mesma dor

Numa explosão domada ou incontida


Cada poema

É mais do que uma inércia, é um transporte,

É eixo, é a matriz deste suporte

Das minhas transgressões de fera ferida


Cada poema

Tem sempre a dimensão de um corpo estranho,

Imensurável, pois não tem tamanho,

Porta-voz da vontade indesmentida


Quando ressurge,

Muito embora vencido é temerário

Como a luta tenaz de cada operário

Que aspira à igualdade prometida


Onde um termina,

Começa um novo verso inevitável,

Cada um deles gerando um infindável

Rosário das memórias de uma vida…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 16.09.2010 – 14.38h