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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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POEMA COM NÓ NA GARGANTA

02.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

 

Quando o poema desata

Esse nó que o estrangulava,

Desponta com força tal

Que desatina e delata

Tudo o que então sufocava

E há quem possa ficar mal…

 

Por vezes torna-se hostil

Se alguém o tentar prender

Ou, de algum modo, calar,

Mas nunca será tão vil

Que outro tanto vá fazer

Ao que o tentou sufocar.

 

Poema, desata o nó,

Grita essa tua vontade

Como quem já não tem tempo!

Não cales, não tenhas dó

De quem, negando a verdade,

Ousou roubar-te o talento!

 

Fala da velha censura,

Desses dias de temor

Em que, inventando futuros,

Sonhavas ter a ventura

De dar voz à tua dor

E derrubar velhos muros!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

2 comentários

  • Lá isso é verdade, Joaquim! Os poemas, pelo menos, podemos soltar à vontade!
    Abraço grande!
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