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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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O SINDICATO DO HOMEM-BARATO

25.11.09 | Maria João Brito de Sousa

 

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(Poema jocoso)

 

 

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Vendo-me por tudo,

Vendo-me por nada...

Sinto-me, contudo,

Quase imaculada

Pois sou o produto

Dessa alma castrada,

Vestida de luto,

Sempre amargurada,

Dentro do reduto

Em que fui gerada.

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Vendo-me por muito,

Vendo-me por pouco…

 

Se tens o intuito

De chamar-me louco,

Não venhas fortuito

Porque eu cresci mouco

Dentro do circuito…

Penso que estás rouco

Inda me descuido,

Vais corrido a soco…

Nem pouco, nem muito;

Nunca em ti, me foco!

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Se alguém me promete

O que quer que seja

Logo se derrete,

Em mim, esta inveja

E o Diabo- a-sete…

Onde quer que esteja

Faço logo o frete;

Largo esta cerveja,

Escondo o canivete

Onde ninguém veja!

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Eu porto-me bem,

Sou mulher decente!

Escolho o que convém

Mais a toda a gente…

Sinto-me refém,

Mas não estou doente

E o homem não vem,

Mas eu estou contente

Pois há sempre alguém

Menos indolente…

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Visto a saia nova,

Vou p`ró arraial.

Vou fazer a prova

Porque eu, afinal,

Levei uma sova

Daquele animal!

Ninguém me reprova,

De um modo geral,

Por deixar a cova

Para o funeral…

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Somos criaturas

Muito sonhadoras!

Temos armaduras

P`ra todas as horas

E almas muito puras,

Sogros, filhos, noras,

Nestas nossas luras

De procriadoras...

Nada de aventuras!

Nós somos senhoras!

 

Sou do sindicato

Do homem-barato.

 

Nós somos pacatos

E temos paciência,

Lavamos os pratos

Com eficiência

E, nos nossos actos,

Fingimos clemência…

Não há desacatos

Nem há turbulência!

Temos belos fatos

E boa aparência!

 

(Ai, o sindicato

Deste homem-barato...)

 

 

Maria João Brito de Sousa - 25.11.2009 - 15.30h

 

 

Nota - A palavra sindicato, neste poema jocoso, não tem o seu sentido denotativo comum, referindo-se - neste caso, friso - a diferentes tipos ou variantes de características humanas, evidentemente caricaturadas e ficcionadas, muito embora retiradas da vida real.

 

 

 

 

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