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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

TOO SOON/TOO LATE...

02.04.09 | Maria João Brito de Sousa

 

Ela não sabia

Nem viria a saber

Por que razão o acaso de viver

Parecia pedir-lhe, a cada segundo,

Que tomasse para si

As culpas este mundo

E o esquecimento

De outra razão de ser.

 

Ela não perdia.

Aceitava e fazia

Tudo o que este mundo lhe dizia

E,  mesmo sabendo, não pedia

O que os outros pediam sem saber.

 

Ela não cantava.

Apenas ouvia

E transformava a dor de cada dia

No tal pão que haveria de comer.

 

Se, ao menos,

Um Poeta-Encantado

Pudesse tocá-la,

Talvez a morte não viesse buscá-la

Tanto tempo antes do tempo

De morrer...

 

O casulo que tecera à sua volta

Era tecido da mesma revolta

Que sempre a impedira de viver...

Dentro do casulo,

Pensando ser ela,

Era apenas a porta ou a janela

Aberta à dor de quem visse sofrer...

 

Foi nessa condição

Que a Morte a encontrou

No mesmo dia em que ela procurou

Abrir janelas, portas ou saídas

Que lhe pudessem mostrar essa vida

Que havia em si e sempre se negou...

 

1994

 

 

Imagem retirada da internet

4 comentários

  • Obrigada amigo! Acreditas que, ontem,acabei por não ver a entrevista com o António Damásio? Desde ontem que só faço disparates...
    Abraço grande!
  • Imagem de perfil

    Fisga

    03.04.09

    Não te aborreças com isso minha amiga, o Damásio provavelmente também não leu o teu lindo poema. Abraço. Eduardo.
  • Eheheh... essa é boa! Eu também não o andei a anunciar na RTP duante a semana inteira...
    Abraço grande!
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