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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

QUE PODE O VENTO FAZER?

26.01.26 | Maria João Brito de Sousa

wind, wind, wind (1).jpg

Imagem Pinterest

*

QUE PODE O VENTO FAZER?
*

 

Que pode o vento fazer

Pra expressar moderação

Se o seu destino é correr

De alta pra baixa pressão?
*

 

Às vezes manso, calminho,

Deixa em nós uma frescura

Que torna leve o caminho

Quando o calor nos tortura
*

 

Outras, porém, de rajada,

Sem cuidar do mal que faz,

Leva tudo de abalada,

Não pára nem nos dá paz!
*

 

Mas... que pode, então, fazer

Um pobre dum furacão

Se nunca faz o que quer

E em si próprio não tem mão?
*

 

Um dia, sentes-lhe a falta:

Faz calor e ele adormece

Mas logo se sobressalta

E o pé-de-vento acontece
*

 

Rouba a roupa ao teu estendal

E chicoteia-te o rosto

Não qu`rendo fazer-te mal

Nem provocar-te desgosto...
*

 

É assim por natureza

O vento que reconheces

E que te abala a certeza

De seres tudo o que pareces...
*

 

Como posso maldizer

Sem ponta de compaixão

Quem nem sequer tem poder

Pra mudar de direcção?
*

 


Maria João Brito de Sousa

*

Portugal

MOTE E GLOSAS

24.01.26 | Maria João Brito de Sousa

MOTE E GLOSAS (1).png

Imagem Chat-GPT

*

MOTE
*
Dá-me um sorriso ao domingo,
Para à segunda eu lembrar.
Bem sabes: sempre te sigo
E não é preciso andar
*
Fernando Pessoa.
***
GLOSAS
*
I
*
Acendeste uma fogueira
Que eu ora atiço, ora extingo...
Rola a cera, pingo a pingo,
Duma vela ainda inteira
Com que alumio esta esteira
E o lençol rosa-flamingo
Cuja cor já mal distingo,
Convida a minha canseira
A uma sesta ligeira...
"Dá-me um sorriso ao Domingo"!
*
II
*
Deitei-me e adormeci
Mas não consegui sonhar
Senão depois de acordar...
Tantos anos já vivi
Que não sei se cabe aqui
O que trago pra contar:
Morfeu, pronto a difamar,
Dir-vos-á que vos menti
E que à primeira omiti
"Para à segunda eu lembrar"
*
III
*
Também dirá que sou tonta,
Que nunca meço o que digo
Que até posso ser um perigo,
Embora de pouca monta...
Ah, que me importa essa afronta
Se Morfeu vem ter comigo
E é em mim que encontra abrigo
Quando o vento sopra contra
E a insónia te amedronta:
"Bem sabes: sempre te sigo"
*
IV
*
Sossega, velho Morfeu,
Nunca te hei-de abandonar
E a quem te tente roubar
Direi que és meu, que és tão meu
Quanto os astros são do céu,
Quanto as ondas são do mar
E a lua, se houver luar,
É da luz que recebeu...
Irás aonde for eu
"E nem é preciso andar"!
*


Mª João Brito de Sousa
20.01.2022 - 20.00h
***


NOTA - Poema em décimas glosadas a partir de uma quadra de Fernando Pessoa e inspirado nas décimas criadas pelo saudoso poeta José Manuel Cabrita Neves a partir da mesma quadra.

IMPROVISOS

21.01.26 | Maria João Brito de Sousa

IMPROVISOS.png

Imagem ChatGPT

*

IMPROVISOS

ou

JANGADA
*

 

“- Eu remo, meu capitão,

Mas, cá por dentro, o meu medo

Vai-me soprando, em segredo,

Rumores de rebelião

Que dizem que remo em vão,

Que ali em frente um rochedo

Nos abalroa tão cedo

Quão tarde eu diga que não...

Forças de braço e de mão

Não nos bastam... reze um credo!”
*

 

“ - Cala a boca, remador

Que agoiras tal desventura!

Não cabe à glória futura

Ter espaço pra medo ou dor

E eu, que sou teu superior,

Exijo-te compostura,

Remada firme e segura,

Coragem, esforço e suor!

Esquece os presságios de horror

E obedece, criatura!”
*

 

Três ondas não são galgadas

Eis que um rochedo letal

Vem pôr um ponto final

Nas controvérsias lançadas,

Porque, prás ondas, são nadas:

Medo ou glória... é tudo igual...

Gigantes de água com sal,

Não são partes int`ressadas

Das causas reivindicadas

Por carne humana e mortal
*

 

Porém, nos versos que escrevo,

O enredo é todo meu

E eu juro que não morreu

O que remador a quem devo

As braçadas em que o levo

Ao ponto onde ele concebeu

Com madeiros e um pneu,

Qualquer coisa a que me atrevo

Chamar, com estúpido enlevo,

Jangada... e vinda do céu!
*

 

Enredos efabulados,

Vindos de onde eu decidir,

Mesmo absurdos, podem vir!

Há sempre uns versos criados

Nos dias mais inspirados

Que enquanto a rima fluir

Não nego a quem mos pedir...

Aqui vos deixo, contados,

Uns versitos mal forjados

Com metro pronto a escandir.
*

 

 

Maria João Brito de Sousa

18.01.2015
***

 

 

CRUZANDO O RUBICÃO

17.01.26 | Maria João Brito de Sousa

soneto fantasma (1).jpg

Imagem Pinterest

*

CRUZANDO O RUBICÃO
*


Já terão todos migrado

Deste bairro hoje fantasma?

Serei eu um ectoplasma

Que expirou sem ter notado?

Está vazia, a casa ao lado...

No Sapal paira o miasma

De uma solidão que pasma

O mais bem acompanhado...

Que é do sapinho encantado

Que tanto me entusiasma?
*


Percorro as ruas vazias...

Nem o vento me acompanha

Nesta caminhada estranha

E as horas tornam-se frias,

Pesadas como manias

Que alguém, tendo, não detenha

Por ser tarefa tamanha

Que só as melancolias

A igualam, nalguns dias

Em que alguma em nós se embrenha...
*


Nem vivalma! E percorri

O Sapal todo inteirinho

Sem vislumbrar um sapinho

Dos tantos que havia aqui...

Nem notei mas, sim, morri

E este é um outro caminho,

O tal que se faz sozinho

Quando nos vamos daqui...

Não fui eu que decidi

E, para trás, deixo um ninho
*


Mas não tenho alternativa...

Não posso dizer que não

Estando em decomposição

O corpo no qual fui viva

E, hoje, sou alminha à d`riva...

E agora? Que direcção

Me aponta este coração

Que não pulsa, nem cativa?

Espero encontrar comitiva

Que me leve ao Rubicão!
*

 

Mª João Brito de Sousa

17.01.2026 - 14.20h
***

UMA MORADA NO SAPAL - Reivindicação

15.01.26 | Maria João Brito de Sousa

Uma morada no Sapal.png

Imagem ChatGPT

*

UMA MORADA NO SAPAL
*

Reivindicação
*


Sei que não pagámos renda,

Que ninguém nos cobrou nada

Pra morar nesta morada

Que nunca esteve pra venda,

Que é muito mais que uma tenda

E que, não sendo alugada,

Nem por IMI colectada,

Nos surgiu como oferenda:

Receber tão bela prenda

Deixa uma poeta encantada!
*


Uma casa num sapal

Arejadinha e espaçosa,

É uma coisa espantosa,

Não tem nada de banal:

Ter-se um jardim ou quintal

No qual plantar uma rosa,

Um cravo ou uma mimosa

E ainda erguer um varal,

É a alegria total,

É coisa miraculosa!
*


Formámos um bairro ordeiro,

Muito alegre e populoso

Que par`cia auspicioso

Até vir o frio Janeiro

Porque Janus, traiçoeiro,

O tiranete manhoso,

Anunciando o fim do gozo

Acabou c`o bairro inteiro

Sem consultar-nos primeiro

Nem cuidar do nosso pouso....
*


Aqui nos manifestamos

Plo direito à habitação

Nesse espaço de eleição

Em que raízes e ramos

Há muito tempo criámos!

O Sapo é o nosso chão

E é del`que brota a paixão

Com que hora a hora nos damos:

Aqui estamos, cá moramos,

Eis a reivindicação!
*


Mª João Brito de Sousa

15.01.2026
***

 

 

DIGITALIZANDO ANDO, ANDO, ANDO... - Reedição

08.01.26 | Maria João Brito de Sousa

me in my cat version (1).jpg

Imagem Pinterest

*

DIGITALIZANDO, ANDO, ANDO, ANDO...
*


Sempre a digitalizar

Horas e horas sem fim,

Temo poder-me enganar,

Digitalizar-me a mim…
*


Se me torno digital

Quem digitalizará

O universo real

Das imagens que aqui há?
*


Devo ter muito cuidado,

Trabalhar com parcimónia

Sem descurar o teclado

Mas sem fazer cerimónia
*


Pois são tantas as imagens

Que as nem sei contab`lizar:

Passo as horas na contagem

Do que aqui tento guardar...
*

 

Uma antiga, outra nem tanto…

E devo, ou não, separá-las?

Guardar uma em cada canto

Pra poder, depois, estudá-las?
*

 

Se recordar é viver,

Eu estou a viver mil vidas…

Que bem me está a saber

Ter tais honras garantidas!
*


O pior é encontrar,

Neste caos que me rodeia,

Matéria pra navegar

Nesta histórica epopeia…
*

 

É que, sempre a trabalhar,

Tenho receio de, assim,

Começar-me a baralhar

E arquivar-me antes do fim
*

 

Maria João Brito de Sousa

10.08.2010 – 19.11h
***

FICA TÃO PERTO SONHAR... - reedição

05.01.26 | Maria João Brito de Sousa

young lady abd sunflowers in the clouds.jpg

FICA TÃO PERTO SONHAR...

*

 

Nada compro e não me vendo...

Pouco tenho, na verdade,

Mas serei quem nada tendo

Se multiplica em vontade!

*

 

Um pouco de tempo agora,

Um bocadinho depois,

E antes de me ir embora

Consegui escrever por dois!

*

 

Quase nada vos darei

Mas, desta humilde pertença,

Sei muito bem que farei,

Muito mais tarde, a dif`rença…

*

 

Posso nunca ter certezas

Mas, não me faltando a fé,

Transformo em força as fraquezas,

Escrevo-me da proa à ré!

*

 

Angústias e depressões

Foram ficando pr`a trás,

Noutras quaisquer dimensões:

Se poeto, é sempre em paz!

*

 

Talvez tão estranha existência

Me coloque em situação

De provocar turbulência

Neste mar de multidão,

*

 

Mas, de tudo o que fizer,

Quero estar muito segura

De ser poeta e mulher;

Uma escreve… a outra é pura

*

 

Enquanto nisto for útil,

Pra quê forçar o caminho?

Tudo o mais parece fútil

E um poema é sempre um ninho…

*

 

Se nele me puder deitar

Depois de cada passada…

Fica tão perto sonhar

E é tão longa a caminhada!

*

 

Maria João Brito de Sousa 

14.02.2011 – 18.45h

***

MISÉRIA ENDÉMICA - Reedição

03.01.26 | Maria João Brito de Sousa

miseria endémica (1).png

Imagem do ChatGPT

*

SEIS DÉCIMAS PARA BEM AUSCULTAR E DIAGNOSTICAR AS OCULTAS CAUSAS DA POBREZA SOCIAL ENDÉMICA,
SEGUNDO A BOA PRÁTICA DA MEDICINA POPULAR
***

 

Com quantas lágrimas verte,

Com quanta dor te arrebanha,

Te aborda e depois se entranha,

Vem a miséria que, ao ver-te,

Te condena, te perverte,

Faz de ti farrapo humano,

Te lança no desengano,

Te desgraça, te desdenha,

Te transforma em coisa estranha

Pr`a melhor poder perder-te!
*

 

Vem, quando menos sonhavas,

Infiltrar-se, sorrateira,

Estudando a melhor maneira

De açambarcar quanto amavas,

De negar quanto aspiravas,

De minar-te a resistência

Quando, com estranha insistência,

Te obriga a ser`s quem não queres,

Desmentindo o que disseres

Pra tomar-te a dianteira…
*

 

Muito poucos voltarão

A dar-te o valor que tens,

Que ela não rouba só bens,

Muda, inteira, a condição

E, além de tirar-te o pão,

Coloca-te uma etiqueta

Das que abundam na sarjeta

Dos humanos preconceitos

Onde alguns poucos “eleitos”

Encontram fama e razão…
*

 

Quanto mais dúbia, mais duro

Se torna o jugo que impôs

Sobre a voz da tua voz

Quando aperta, furo a furo,

O cinto com que o esconjuro

Te abraçou nesse momento

Em que, sem outro argumento,

Te afastou de quanto amaste

E logo, em claro contraste,

Te impõe seu próprio futuro
*


Pois assim que essa armadilha

Por elites preparada,

Tão fatal, tão bem estudada,

Que nem a própria partilha

Bloqueia os rumos que trilha,

Se estende tão triunfante

Como se fora gigante

De bocarra escancarada

Cravando, pela calada,

A dentuça acutilante
*

 

E, munida de mil manhas

Bem escondidinhas na manga,

Faz, de amigo, um seu “capanga”

Com duas ou três patranhas

De opacidades tão estranhas,

Que, nas malhas enrededado,

Já nem sabes pra que lado

Te empurra essa dura canga:

Se prá fome ou se prá tanga

De quem, de ti, faz “coitado”!
*

 

Maria João Brito de Sousa
*

15.11.2013

***

 

 

NOVOS TEMPOS, VELHAS LUTAS

02.01.26 | Maria João Brito de Sousa

GUERRA IMINENTE.png

Imagem ChatGPT

*

 NOVOS TEMPOS, VELHAS LUTAS
*
(Nonas)
*
I
*
Velhas lutas, tempos novos

E novas contradições

Vão comandando as paixões

E as (in)decisões dos povos

Que, nunca se repetindo,

Vão indo e vindo, indo e vindo,

Parecendo quase iguais

Às dos nossos ancestrais

Que há muito foram partindo
*
II
*
Novos tempos, velhas lutas

De opressor contra oprimido,

Que não fazendo sentido

Estão cada vez mais astutas

E passam sem serem vistas,

Fazendo ainda conquistas:

Mesmo que já desvendadas

E por muitos condenadas,

Parecem não deixar pistas.
*


Maria João Brito de Sousa

02.01.2019 – 15.28h
***