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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

IRÁS COMIGO ONDE EU FOR - Reedição

30.07.25 | Maria João Brito de Sousa

DICOTOMIA.jpg

Tela de minha autoria

*

IRÁS COMIGO ONDE EU FOR
*


"Irás comigo onde eu for",

Disse-me um dia a Vontade

E eu, sentindo-lhe o ardor,

Julguei que essa era a Verdade
*


E intimei a Liberdade:

"Irás comigo onde eu for"!,

Mas depressa a Realidade

A isso se veio opor
*


Apresentando-me a Dor

Que fustiga a Humanidade:

"Irás comigo onde eu for"

Exp`rimentar Necessidade,
*


Conhecer a Crueldade,

Provar-lhe o acre sabor...

Eu sou a Arbitrariedade:

"Irás comigo onde eu for"!
*


Mª João Brito de Sousa

30.07.2022 - 12.00h
***

Poemeto criado a partir de um verso/mote de Joaquim Sustelo
para uma rubrica do Horizontes da Poesia.

IMPACTO AMBIENTAL - Reedição

30.07.25 | Maria João Brito de Sousa

IMPACTO AMBIENTAL (1).png

Imagem processada pelo ChatGPT

*

IMPACTO AMBIENTAL
*


Às pragas e palavrões,

Troquei-os por dois perdões

Num dia de tempestade:

Sopravam estranhas monções

E nenhuma alma se evade

À Santíssima Trindade

Quando enfrenta vagalhões...
*


Pedi, portanto, perdão

Por, não tendo para o pão,

Ter-me feito ao meu caminho...

Não ouvi nem sim, nem não,

Que o mar em redemoinho

Cuspiu torreões de linho

Sobre a minha embarcação...
*


Perdão!, supliquei ao mar...

Tanto dava suplicar

Quanto dava estar calado:

Ninguém me veio ajudar

E o mar redobrava o brado

Tumultuoso e zangado,

Sem tempo pra perdoar...
*


Os perdões então pedidos,

Não me foram concedidos,

Que isso tenho por bem certo!

Dizem sábios e sabidos

Que estando o céu encoberto,

Entra o mar em desconcerto

E nem a Deus dá ouvidos...
*


Nada podendo fazer

Sem ninguém pra me valer,

Morri nesse exacto dia

À hora do recolher,

Aos toques de Avé Maria:

O mar me absolveria

Pragas, pecados e ser...
*


Morri tal como os demais,

Mas sem protestos, nem ais,

Porque posso garantir

Que nos momentos finais,

Mesmo à beira de partir,

Me calei pra reduzir...

Impactos ambientais!
*

 

Maria João Brito de Sousa

29.07.2018 – 17.12h
***

 

Poema ligeiramente reformulado

PARÁBOLA DA FIANDEIRA E SEUS NOVELOS BRANCOS

29.07.25 | Maria João Brito de Sousa

a fiandeira (1).png

Imagem processada pelo ChatGPT

*

PARÁBOLA DA FIANDEIRA
E DOS SEUS NOVELOS BRANCOS
*

Dobava brancos novelos

Da lã mais quente e macia

Que naquela aldeia havia...

(ninguém podia era vê-los...)

Dobravam-se-lhe os cabelos

Em tamanho, e - que ousadia! -

Quanto mais envelhecia

Menos podia esquecê-los...

Foi dobando até esquecer-se

E esqueceu-se até perder-se

Nos seus novelos de lã

Quando umacerta manhã,

Já cansada de assim ver-se,

Cortou os cabelos cerce...

Grita uma: - Ensandeceu!

Se não podia mantê-los

Devia optar por sustê-los

Num "puxinho", como o meu...

Dizem outras: - Que sei eu?

Curtos, ficam tão singelos

E para quê qu`rê-los belos,

Quando assim se envelheceu?

Cortou cerce a cabeleira,

Mas depressa aconteceu

Que ela em dois dias cresceu

E ficou de novo inteira...

Volta a velha fiandeira

Ao ofício que era o seu:

Outro novelo nasceu 

E outro e outro... uma carreira

De enoveladas madeixas

Que em vez de trazerem queixas

Lhe traziam alegrias...

Fia o teu branco tesouro

Que antes branco do que louro

Se quer aquilo que fias!

A velhinha atarefada

Doba ainda, ensimesmada

E, perdida no vazio,

Esvai-se a voz do mulherio

Que, bem alta, ou sussurrada,

Fala, fala e não diz nada...
*


Maria João Brito de Sousa

25.07.2016 - 15.34h
***

 

Composição poética reformulada e aumentada