Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

TEMPESTADE NO MAR

25.08.20 | Maria João Brito de Sousa

tempestade no mar.jpg

TEMPESTADE NO MAR
*

I
*
Que grande, o mar nesse dia!

E como as velas vergavam

Enquanto os homens tombavam

À conta da ventania

Sem saber se esse seria

O dia em que não voltavam...

As companheiras rezavam

Mas nenhum deus as ouvia

Que o mar irado rugia

Bem mais do que elas clamavam.
*

II
*

Depois, tão subitamente

Quanto chegara, partiu,

Ficou sereno o navio,

Respirou fundo essa gente

Que vira a morte de frente

Sofrendo-lhe o sopro frio;

Chorou essa gente.. e riu,

Que assim reaje quem sente

Tão forte e profundamente

O que essa gente sentiu.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 25.08.2020 - 12.55h

 

Tela de Rembrandt, retirada daqui

 

 

BEM ME CALHAS, MAL ME FALHAS!

19.08.20 | Maria João Brito de Sousa

bem mecalhas.jpg

BEM ME CALHAS, MAL ME FALHAS!


I
*

Bem me calhas, se não falhas!

Se de ti não vir sinais,

Vão-se-me os sonhos reais

E não sei viver de tralhas,

Por isso vê se trabalhas,

Ó Musa dos imortais,

Dos sonetos que não trais,

Do saber com que retalhas

Texturas e fios de malhas,

Desfazendo os nós finais,
*

II

*

Que os que escrevo, quais mortalhas

Cobrindo os restos mortais

Dos que não navegam mais,

Lembram-me inúteis cisalhas,

Já queimadas acendalhas,

Fogachos acidentais,

Caqueiros ornamentais,

Manta que nada agasalha

Impregnada da poalha

De uns versos mortos no cais!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 19.08.2020 - 15.30h

AGORA(S)

10.08.20 | Maria João Brito de Sousa

Rabisco meu, 2010.jpg

AGORA(S)

(esquiço)
*


No percurso de uma hora

Tiquetaqueiam segundos

E em cada hora há mil mundos

Que se perdem tempo afora;
*

Todo o "depois" foi "agora"

E os "agoras" moribundos

Breves embora fecundos

Num segundo vão-se embora
*

Porque o tempo é movediço,

Escorre-nos por entre os dedos

Inda que sabendo disso
*

Eu tente que em mil folguedos

Passe um "agora" que, em esquiço,

Fixo entre "agoras" mais quedos.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 10.98.2020 - 13.25h


*

Sonetilho escrito num "agora" de pousio, à revelia da Musa.

MOTE E MOTIVO

08.08.20 | Maria João Brito de Sousa

WIN_20200529_18_10_28_Pro (1).jpg

"Quero um mote pra viver"!,

Proclamei em tempos idos,

E Mote passei a ser,

Vi meus desejos cumpridos!

*

Não sei se mote, ou motivo,

"Quero um mote pra viver"!,

Passei a ser mote vivo

E nada mais quero ser

*

Que esta coisa de escrever,

Guarda-ma a Vida em arquivo;

"Quero um mote pra viver"

Pois do mote estou cativo

*

E se do mote me esquivo

Para outras coisas fazer,

Da própria vida me privo;

"Quero um mote pra viver"!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 08.08.2020 - 12.58h

 

 

NOTA - Poema criado a partir de um verso/mote de Jay Wallace Mota, para um trabalho de grupo no site Horizontes da Poesia.

PONTO A PONTO, PEÇA A PEÇA

06.08.20 | Maria João Brito de Sousa

Ponto a ponto....jpg

PONTO A PONTO, PEÇA A PEÇA...
*
I
*

Ponto a ponto construídas

Por mãos hábeis e seguras,

As peças ganham costuras

E em breve serão vestidas

Ajustadas e medidas

Sobre corpos. Mil mesuras,

Quem sabe?, algumas censuras

E eis as peças convertidas

Em roupagens coloridas;

Golas, mangas e cinturas

*
II
*

Mais ou menos apertadas,

Discretas, inovadoras,

Ousadas, conservadoras,

Sempre são requisitadas

Todas as peças criadas

Pelas mãos trabalhadoras

Dos homens e das senhoras

Do corte e das tesouradas

Que sabiamente são dadas

Por gentes conhecedoras
*
III
*

Cobrem-se homens ou mulheres

E criancinhas também

Com a roupa que lhes vem

Do trabalho desses seres;

Têm essas mãos saberes

Que esta minha mão não tem...

Sem olhos que vejam bem,

Quem me dera ter poderes

Pr`acabar uns afazeres

De que, agora, estou refém...
*

 

Maria João Brito de Sousa - 06.08.2020 - 14.34h

 

 

Poema em décimas criado para um desafio poético no site Horizontes da Poesia

 

Imagem retirada daqui

CORRER ATRÁS DE GAIVOTAS

03.08.20 | Maria João Brito de Sousa

sonhar-com-gaivota.jpg

CORRER ATRÁS DE GAIVOTAS

I


Corria atrás das gaivotas

Dando um nome aos sentimentos

Só parando por momentos

Pra farejar novas rotas

E os ecos de algumas notas

Já desfeitas em fragmentos

Da pungência dos talentos

Que nunca pagaram cotas

Mas disputam, sem batotas,

Um tempo nos novos tempos.
*

II

Corria atrás de uma urgência

Que não tem nem terá nome,

Quase sede, quase fome

De longínqua intercorrência

Com uma rara paciência

Que nunca haverá quem dome,

Haja embora quem a tome

Por profunda incoerência...

Tomo-a eu por dependência

Que, a mim, também me consome!
*


Maria João Brito de Sousa - 03.08.2020 - 10.00h