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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

"ÃOS" & "ADES"

20.11.18 | Maria João Brito de Sousa

ÃOS e ADES.png

“ÃOS” & “ADES”

*

(Décimas)

 

I

Basta de toxicidade!

Tanta desinformação

Só nos traz é confusão...

Por onde passa verdade

Se a verdade é que se evade,

Aos poucos, da nossa mão?

Vejo é manipulação

Da nossa humana vontade...

Nada há que menos me agrade

Do que toda esta inversão

 

II

 

Dos preceitos da razão

E da nossa idoneidade.

Onde estás, ó liberdade

De julgamento e de acção

Se sujeita à suspeição

E às grilhetas da saudade,

Só recordas  falsidade

E a falta de isenção?

No olho do furacão

Da devassidão de Sade?

 

III

 

Venha mais honestidade

Pôr cobro a tal maldição!

Sem saber se sim, se não,

Sem raízes, nem idade,

Não vem o campo à cidade,

Nem a cidade tem chão

Onde se estenda um colchão

Pra morrer com dignidade;

Mora a pura ansiedade

Neste espaço em convulsão

 

IV

 

Onde mesmo a diversão

Perde a sua alacridade

E conduz a sociedade

À grande alienação,

Já que irmão agride irmão

Sem causa, nem piedade,

Com toda a brutalidade

E sem grande hesitação.

“Sempre assim foi”, pensa então

Quem assiste à mortandade

 

V

 

Com a naturalidade

De quem canta uma canção,

Ou compra uma promoção

Barata e sem qualidade

Por bem menos de metade

Do custo de produção...

Haverá comparação,

Ou será que a realidade

Preza a conflitualidade

E lhes nega uma outra opção?

 

VI

 

Não mudo de direcção

Que esta minha sobriedade

Não sente a necessidade

De, pra já, meter travão...

Vejo mal, mas a questão

Não está na visibilidade

E sim na capacidade

De, dessa limitação,

Ter a perfeita noção,

Actuando em conformidade;

 

VII

 

Assim, perco em quantidade

O que ganho em devoção,

Mas a minha obrigação

É manter serenidade

E alguma objectividade

Enquanto cumpro a função

E renego a tentação

Da frustração que me invade

Quando, em plena claridade,

Vejo o breu da escuridão

 

VIII

 

Sem encontrar explicação

Pra tanta desigualdade...

Palpo ainda a densidade,

Mas não palpo a pulsação

De quem diz ter compaixão

Por esta comunidade

Que eu, há uma eternidade,

Amo, torrão a torrão,

Palmo a palmo, grão a grão,

Com toda a sinceridade

 

IX

Serei, talvez, raridade,

Ou apenas a excepção

Que leva à confirmação

De uma generalidade...

Sou-o de livre vontade,

Jamais por imposição,

Pois todo o meu coração

É um hino à liberdade;

Toda sou genuinidade

E, às vezes, contradição,

 

X

 

Mas quer tenha, ou não, razão

Dar-lhe-ei continuidade;

Meia de mim faz metade

De uma só, que faz questão

De viver na solidão,

Por mais que vos desagrade

Esta peculiaridade

Que julgais provocação,

Quando é somente a assumpção

Desta minha identidade.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 20.11.2018 – 11.11h

 

 

Imagem retirada daqui

OITAVAS MUITO SOLTAS

18.11.18 | Maria João Brito de Sousa

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OITAVAS MUITO SOLTAS

*

 

 

Não ando daqui pr`ali

sem saber o que fazer;

Tendo em conta o que perdi,

nada mais tenho a perder

e se, à esquerda, o coração

me empurrou para o seu lado,

não fui sem ter consultado

razões que tinha a razão.

 

II

 

Muito embora estando inútil,

nunca fui barata tonta,

nem delego em ganho fútil

questões de tão grande monta

quanto a própria poesia

que de tantos vai brotando

sem que muitos vão notando

que ela produz mais-valia.

 

III

 

Quem dá tudo quanto pode,

nunca a mais é obrigado

e, caso alguém se incomode,

responda que já foi dado

tudo o que tinha pra dar,

pois dando o que não tivesse

muito estranho me parece

que não estivesse a aldrabar.

 

IV

 

Minha musa entrou em greve

por falta de condições...

Sem ela, fiquei mais leve,

mas também sem mais opções

senão esta de ir escrevendo

quanto me venha à ideia;

Apagou-se-me a candeia

antes do sol estar nascendo.

*

 

Maria João Brito de Sousa – 18.11.2018 – 19.35h

 

 

ALERGIAS...

17.11.18 | Maria João Brito de Sousa

Perdigão.jpg

ALERGIAS

*

 

Qual perdigão, perco o pio

e sem pio, qual perdigão,

fico toda frustração,

sinto a alma por um fio;

já não choro, já não rio,

já não gemo de paixão,

já não sinto a compulsão

de cantar ao desafio,

sinto febre, tenho frio...

que tremenda rouquidão!

*

 

Perdigão não perde a pena,

perde-se em pura afonia;

cada pio, cada agonia

que do piado lhe acena

vale por uma centena

de sorrisos de alegria...

Tem, Perdigão, alergia

a uma flor; a açucena

e não é nada pequena

essa incómoda avaria.

*

 

Maria João Brito de Sousa – 17.11.2018 – 14.29h

 

Imagem retirada daqui

 

O DESCANSO DA MUSA

11.11.18 | Maria João Brito de Sousa

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O DESCANSO DA MUSA

 

(Oitavas)

*

 

É desejável que a Musa

descanse de quando em quando,

como a maré, recuando

assim que a Lua se escusa

a atraí-la e já confusa,

decide i-la libertando,

por uns tempos abdicando

da ilusão de que a usa...

 

*

Ganha a Musa, que descansa,

ganha a Lua, que não ousa

perturbar o que repousa

de tão agitada dança...

Repousada, mais alcança

quando em versos se descosa

e não duvido que a prosa

ganhe mais, se nos não cansa...

*

 

Como a maré, se vazia,

como a terra, se em pousio,

já não escrevo ao arrepio

da força que me movia.

Por que razão deveria

desfazer os nós do fio

sem parar, sem um desvio,

se sinto a Musa arredia?

*

 

Quando voltar, voltará,

não quero forçá-la a nada!

Sei que volta renovada,

vai dar mais do que ora dá

e a pausa lhe mostrará

não ter sido pressionada.

Vai, Musa! Estás libertada

do que te prendeu por cá!

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 11.11.2018 – 11.50h

 

HISTÓRIAS DE CASAS II

10.11.18 | Maria João Brito de Sousa

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HISTÓRIAS DE CASAS II

(Décimas)

*

 

Mudas, nunca as casas foram...

Todas nos contam segredos

de tristezas ou folguedos

das gentes que nelas moram.

Das janelas que as decoram,

espreitam sonhos, espreitam medos,

alguns tímidos e quedos,

outros que, acenando, imploram

a atenção dos que demoram

a olhá-los, dos lajedos.

*

 

Têm códigos perfeitos,

mas fáceis de decifrar

por quem as queira escutar

e não tenha preconceitos,

mas todos ficam sujeitos

a saber interpretar

o que uma casa contar

sobre os seus sonhos e feitos

e até sobre os seus direitos

a falar, ou a calar.

 

*

 

Aprendi-lhes a linguagem

quando era pequenina

e a minha casa de esquina

sem porteiro, nem garagem,

repetia uma mensagem

qu`inda agora me fascina:

  • “Toda a luz que me ilumina

    Foi crescendo à tua imagem,

    Porque eu fui escora/ancoragem

    Do que tu foste, em menina.”

    *

  •  
  •  

 

Maria João Brito de Sousa – 09.11.2018 – 14.10h