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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

PESCARIA(S)

PESCARIA.jpg

 

A PESCARIA



I

Lanço a fateixa. A jangada

Estremece e fica parada

No meu mar de beira rio...

À rede, já remendada,

Lanço-a à água... é tudo ou nada,

Que trago o bote vazio;

Venha atum, raia e safio,

Quando a malha for puxada

E outro mar de água salgada

Dela escorrer, fio a fio!



II

Mas se entre as malhas da rede

Não há peixes de verdade

E eu cometo a veleidade

De usá-los como quem cede

À distância que se mede

Entre invenção e verdade

Quando o poema me invade,

Que sede dessoutra sede

Que a minha sede precede,

Traz e leva, a quem nem pede,

Filhos do meu mar de jade?



III

Cordas que apenas invento

Tecem-me as malhas da vida

E a barca foi-me erigida

Num mar que eu mesma sustento...

Meus remos? Sopros de vento

À espera do que eu decida;

Se quero a fateixa erguida

Sobre um mar tão turbulento,

Ou se imóvel me contento

E lanço a rede em seguida.



IV

Pra que banquete, afinal,

Nos convida este poema

Se a autora finge que rema

No mar do seu próprio sal?

Em que jangada irreal

Singra as ondas do fonema?

Quem nos diz que vale a pena?

Quem jura não ser por mal

Que estende no areal

Uma ilusão pura e plena?

 

V

Parábola, alegoria,

Mas não mera brincadeira,

Pois não é coisa ligeira

Criar-se a malha vazia

Que, mais dia, menos dia,

Se há-de tornar verdadeira

Já que sempre achou maneira

De dar corpo à pescaria;

Mais pesca quem mais porfia

E, esta, porfia-se inteira!

 



Maria João Brito de Sousa – 02.04.2018 – 19.52h

 

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