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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

ISCAS COM... GRALHAS

14.03.18 | Maria João Brito de Sousa

 

 Que ricas, que ricas iscas

Sem gralhas, mas com batatas!

Boas em todas as datas,

Como as velhas pataniscas

Que às pessoas mais ariscas,

As do "ragôut" e das natas,

Os ditos aristocratas

Que não tocas, nem beliscas,

Parecem coisitas piscas,

Mas, pra mim, que uso alpercatas,



Ou sandálias, pois então!,

São verdadeiro manjar,

Pitéus para degustar

Até à... indigestão,

Não fora a dona Razão

Dizer que é melhor parar,

Que ir atrás do paladar

Sem lhe meter um travão,

É não ter em atenção

O que a razão nos ditar...



Embora, em tempos antigos,

Só comesse “haute cuisine”,

Hoje, isso não me define

E, agora, até como artigos,

Verbos, vírgulas... amigos,

Perdoai que eu desafine

E que, às vezes, desatine;

Troco fonemas por figos,

Nem sequer vislumbro os p`rigos

Por muito que raciocine,



Me concentre e tente vê-los,

A verdade é que me escapam

E entre os figos se me alapam...

Eu fico pelos cabelos;

Tento construir castelos,

Nascem gralhas que derrapam

Na rigidez dos meus zelos...

Mais valera nunca erguê-los,

Mas, alguns, a mim se atracam

Qu`rendo ver se se destacam,

Se vão, ou não, crescer belos...



O tal “dolce fare niente”

Não foi feito para mim,

Embora esteja no fim

Do meu percurso de gente...

Enfim, serei imprudente,

Mas prossigo mesmo assim!

Que hei-de fazer se o jardim

Já não está tão florescente,

Nem mais, como antigamente,

Cheira a cravo e a alecrim

Um chão que foi benjamim

De alguém bem mais competente?





Maria João Brito de Sousa – 14.03.2018 -15.48h

 

GRALHAS.jpg

 

 

COM DEFEITO DE FABRICO

14.03.18 | Maria João Brito de Sousa

ROUAULT.jpg

 

Sou bicho mal acabado

Com defeito de fabrico...

Muito me esforço e me estico

Pr`aguentar, deste legado,

O peso, o peso pesado

Que, contudo, não critico;

Estou neste “fico, não fico”

Que me vem desde um passado

Há muito tempo traçado

Por um gene “mafarrico”...



Ponta abaixo, ponta acima,

Feita em cima do joelho,

Tudo, em mim, está gasto e velho,

Não sou nenhuma obra-prima

E se sou forte na rima,

No demais... não me aconselho!

No entanto, é bem vermelho

O coração que me anima

E, batendo, me sublima,

Desde que não me olhe ao espelho,



Porque se ao espelho me olhasse

E ao meu reflexo imperfeito

Guardasse dentro do peito,

Talvez de mim não gostasse

E um reflexo me bastasse

Pra não ver senão defeito

Quando tendo, afinal, jeito,

Não deixo que o tempo passe

Sem opor-me ao desenlace

Com mais um verso escorreito...





Maria João Brito de Sousa – 14.03.2018 – 11.02h