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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

PAPÉIS VELHOS

26.10.17 | Maria João Brito de Sousa

(Décimas)

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(Décimas)



Ela é tanta, a papelada,

Que a casa está “do avesso”

E em cada papel tropeço,

Meia desequilibrada...

Da roupa, toda espalhada,

Nem vos falo e reconheço

Ter a doença alto preço;

Nada faço e estou estafada,

Velha, rota, amachucada,

Como os papéis do começo...



Quase na terceira idade,

Tenho de andar de bengala

E ao peso de uma só mala

Curvo a própria identidade

Porque a força se me evade

E perco sorriso e fala...

Doença não é cabala

E não será por maldade,

Só por hereditariedade...

Por isso a voz se me cala,



Que esta trama das heranças

Tem muito que se lhe diga;

Se, no belo, a muito obriga,

No mal, tal como as Finanças,

Faz sempre as suas cobranças,

Não se mostra nada amiga

E, sem culpas, nos castiga

Sem nos dar grandes esp`ranças

De curas ou de bonanças...

Herdei, mas fiquei mendiga!



Certo foi, também, que herdei

Grandes riquezas, não nego,

E deste meu desapego

Devo dizer que gostei,

Bem como o pouco que sei

E o muito desassossego...

Mas vê-se um poeta “grego”

Ao penar quanto eu penei!

E agora? O que farei

Com este olhar meio cego?



Papelada, papelada,

Velha e rota como eu estou,

Que destino é que te dou,

Se há que manter-te guardada

E já nada cabe – nada! -

Na casa que me (a)guardou?

Como tu, afinal, sou,

Pois já não sirvo pr`a nada

E tenho a casa ocupada

Por quanto de mim sobrou...







Maria João Brito de Sousa – 26.10.2017 - 11.50h

 

HÁ SEMPRE UM MOTOR DE BUSCA...

24.10.17 | Maria João Brito de Sousa

Motor de busca.png

 

(Sonetilho de dupla coda)

 

Há sempre um motor de busca

Neste infindável processo

Da corrida imensa e brusca

Que nunca terá regresso,

 

Que nenhuma luz ofusca,

Pois faz parte de um progresso

Que eu, mesmo não sendo “cusca”,

Sempre analiso, confesso...

 

Nas horas da prospecção,

Desta complexa matéria,

Fica-me a concentração

 

Dispersa, hesitante, etérea,

E renasce a confusão

Que nem sempre levo “à séria”...

 

(nesta infinda-dimensão,

nem terrestre, nem aérea,

pr`a que me serve a razão,

 

senão pr`a fazer “pilhéria”?

Busca, motor! Busca em vão

coração... numa bactéria!)

 

 

Maria João Brito de Sousa – 24.10.2017 – 16.57h