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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

PROFILAXIA (Anda bicho no sobreiro!)

11.08.17 | Maria João Brito de Sousa

Quercus_suber_11.JPG

 

LAGARTA DO SOBREIRO II.jpg

 

Anda bicho no sobreiro!

O parasita esfaimado

Deverá ser dizimado,

Em vez de andar, sorrateiro,

A roê-lo todo inteiro

E a deixá-lo desfolhado...



São as lagartas famintas

Que o comem, que causam dano

E, em pouco mais de um ano,

Espalham, por prados e quintas,

Milhões de outras, bem retintas,

No montado alentejano.



Já que de pragas se fala,

Lembro esta, a dos montados

Que andam a ser infestados

Por bicho que se regala

A estragar, quando se instala

Nalgum tronco, ou noutros lados...



Se se sente solidário

Com a causa aqui trazida,

Venha juntar-se à sumida

Voz de um lenho centenário

Que, em julgamento sumário,

Perde o seu direito à vida



E tome muita atenção

Aos sinais de epidemia;

Se a praga cresce e procria

Com grande imoderação,

A perfeita solução

Reside em... PROFILAXIA.





Maria João Brito de Sousa – 10.08.2017 – 17.21h

 



 

SEM PALAVRAS

10.08.17 | Maria João Brito de Sousa

PAVIA.jpg

SEM PALAVRAS

 

 

Colhi todas as palavras,

Sem palavras fui ficando,

Mas outras foram brotando

Sempre livres, nunca escravas,

Ora mansas, ora bravas,

Da leira em que as fui plantando.



É delas que me alimento,

Só por elas vivo ainda;

Nunca a sementeira finda,

Nem se nega a ser sustento,

Pois dá fruto suculento

Semente que foi bem-vinda



E da leira improvisada

Que o meu corpo se tornou,

Brota o que me saciou

Da fome de não ter nada...

Por agora saciada,

Hoje, a colheita parou.





Maria João Brito de Sousa – 09.08.2017 – 11.57h

 

WALDEINSAMKEIT

08.08.17 | Maria João Brito de Sousa

waldeinsamkeit.jpg

 

(Décimas)



Dona de nenhum bocado

Daquilo que me não dei,

Sinto bem mais do que sei

E encontro, por todo o lado,

O meu bosque engalanado

Por tons com que o não pintei...

Se em verso o recuperei,

Ramo a ramo, recriado,

Nem um ramo me foi dado,

Fui sempre eu que os conquistei



E em cada tronco que vejo,

Surge um braço que me estende

Folhas que o vento não fende,

Mas fustiga em franco adejo...

Então cresço! Não fraquejo,

Porquanto a raiz me prende;

Tudo, em mim, me surpreende,

Quando, exposta, me protejo

E de casca me cravejo

Como se árvore, ou duende...





Maria João Brito de Sousa – 08.08.2017 – 20.15h




*Waldeinsamkeit é uma palavra alemã que, tal como a nossa palavra “saudade”, não tem tradução numa única palavra de outras línguas.

Alguns autores traduzem-na pela expressão”sensação de estar sozinho numa floresta”. Por mim, prefiro substituí-la pela expressão “sensação de se ser uno com uma floresta”.

 

 

LOUCURA COM LUCIDEZ...

08.08.17 | Maria João Brito de Sousa

LE BAISER - Rodin.jpg

 

Meu amor do riso triste,

Velado por mil porquês;

Sou aquela, que nem viste,

Dentro desta, que hoje lês



E se, acaso, o verso insiste

Em vir beijar-me outra vez,

Lembro a mulher de quem riste,

Por detrás da que nem vês...



Quando, em tempos, me puniste

Com tão crua insensatez,

Sei que não me descobriste



Pois, na própria embriaguês,

Tropeçaste e confundiste

Loucura com lucidez...







Maria João Brito de Sousa – 07.08.2017- 15.43h

 

DEAMBULANDO

07.08.17 | Maria João Brito de Sousa

MERGULHÃO AUSTRALIANO.jpg

 

Quando ando a deambular

Pelos corredor`s da vida,

Fico por vezes perdida,

Mas acabo por voltar

À velha “porta de entrar”

Que também serve a saída...



Deambulando em sextilhas

De redondilha maior,

Irei por aonde for,

Percorrerei muitas milhas

De continentes ou de ilhas,

Dessas que já sei de cor



E se, acaso, acontecer

Não me recordar de alguma,

Volto ao mar, pergunto à espuma;

-“Como me pude perder?”

A espuma há-de responder

Que deixe passar a bruma,



Que olhe o Sol, que oiça as estrelas,

Que siga as indicações

Do grito dos mergulhões

Que conseguem entendê-las

E que nunca vá perdê-las

Noutras deambulações...



Ouvirei atentamente

E, depois de traduzido

Cada som que seja ouvido,

Será dia e, num repente,

Poderei ver claramente

O meu rumo, antes perdido.





Maria João Brito de Sousa – 07.08.2017 – 10.16h







 

O MEU NOME

04.08.17 | Maria João Brito de Sousa

digitalizar0008.jpg

 



Sou João. Se vês Maria

Precedendo o meu João,

Não tem esse outra razão

Senão... a burocracia

Que nunca permitiria

A meu pai, homem bem são,

Que quebrasse a tradição

Que para os sexos havia...

Hoje, tudo a contraria

Mesmo quando o faz em vão...



Bazilio, vem-me da mãe

E surge, agora, com “z”

Sem que eu perceba porquê,

Nem que graça é que isso tem

Pois com “s” se mantém

Sempre que o possa escrever;

Dizem que logo ao nascer

Ficou escrito... e estava bem,

Por isso o “z” me convém...

Mas isso depois se vê!



Vem-me o Brito de meu pai;

Trouxe a pintura consigo

E é, por isso, um nome amigo,

Um nome que se não trai,

Que nunca oscila, nem cai,

Como é próprio de um abrigo,

Muito qu`rido, muito antigo...

Deixai-o ficar, deixai,

Porque é firme e não se esvai,

Nem foge ao primeiro p`rigo.



O “de” surge a harmonizar,

Nunca serviu pr`a mais nada,

Mas... a coisa harmonizada

É bem melhor de se olhar!

Del` não consinto abdicar,

Nem que me sinta obrigada

A assinar-me abreviada;

Esse “de” tem de constar!

Sou mulher pr`a me zangar,

Se por isso for “gozada”...



Sousa... quem sou eu sem Sousa?

Uma poeta qualquer?

Uma tonta? Uma mulher

Que ousa demais só porque ousa

Pôr, no papel ou na lousa,

O João... se lhe aprouver?

O Sousa deu-me o saber

E a paz em que hoje repousa...

Deu-me tanto e tanta cousa*

Que as nem posso descrever!



Maria João Brito de Sousa – 04.08.2017 – 13.06h

 

 

* António de Sousa, o meu avô poeta, nasceu no Porto, na Calçada das Virtudes.

 

À Helena Teresa Ruas A. S. Reis que me inspirou estas décimas.

 

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