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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

CHUVA DE AGOSTO

28.08.17 | Maria João Brito de Sousa

CHUVA DE AGOSTO.jpg

 

Chegou vestida a rigor

Com relâmpagos nos braços

E trovões a anunciá-la,

Mas, depois, deu-se o pior;

Recuou dois ou três passos,

Meteu-se inteira na mala...

 

Não sei se vem sem vigor,

Se rendida aos seus cansaços...

Sei lá se deva chamá-la!

Mas eis que volta! Em redor,

Tudo é marca dos seus traços

Nos vidros da minha sala...

 

 

Maria João Brito de Sousa – 28.08.2017 – 16.00h

 

(Reservados os direitos de autor)

 

 

PERPETUUM MOBILE

22.08.17 | Maria João Brito de Sousa

Perpetuum Modile - Da Vinci.jpeg

 

Alguns de nós, vamos indo,

Outros... de mal a pior

Levamos somente a dor

De ver os demais partindo

Logo que o seu ciclo é findo...

-Passaram o Bojador!

Vão dizendo alguns, de cor,

Sabendo que estão mentido...

Mas vai-se a dor diluindo

No pujante Adamastor



E a vida, que continua,

Que nunca pára um momento,

Nem se junta ao sofrimento,

Prossegue impávida e crua,

Vela ao vento, é já falua,

Falua de vela ao vento

Contra alegria ou tormento,

Nunca chora, nem recua;

Vista Sol, ou vista Lua,

É perpétuo movimento!





Maria João Brito de Sousa – 22.08.2017 – 13.14h

 

COM MEUS VERSOS...

18.08.17 | Maria João Brito de Sousa

fabula-e-verdade- Jose de Brito.jpg

 

(Décimas)



I

Com meus versos, moldo enfeites;

Faço brincos de cerejas,

De giestas e carquejas...

Não me deito onde te deites,

Mas espero que me aceites

Quando sem jóias me vejas...

Não quero é que me protejas

Dos meus pequenos deleites,

 Nem daquilo que rejeites

Quando os meus versos cortejas...

 

 



II

Aceito a mão solidária,

Mas jamais aceitarei

Pena ou dó, se os provoquei;

Orgulhosa e solitária,

Sou apenas uma operária

Dos versos que arquitectei...

Chamem-me fora-da-lei,

Porém, nunca mercenária;

Amo a causa partidária

Em que sempre confiei!



III

Findo aqui, onde me assumo

Cinza que sobrou de mim,

Fruto que, em chegando ao fim,

Terá dado pouco sumo

Mas foi seguindo o seu rumo!

Nunca fingindo que sim,

Não sou de ouro, de marfim,

Nem produto de consumo;

Se ardo, desfaço-me em fumo

Como uma haste de alecrim...

 



Maria João Brito de Sousa – 17.08.2017 – 19.36h

 

 

Imagem - "Fábula e Verdade" - José de Brito (meu bisavô)

 

O "SONHO" AMERICANO

17.08.17 | Maria João Brito de Sousa

sonho americano.jpg

 

A cada instante que passa

De cada dia do ano

É no “sonho” americano

Que afogamos a desgraça

Que, apesar dos “sonhos” grassa

Deturpando o sonho humano.



Totolotos, raspadinhas,

Euromilhões e outros mais,

Sem que os saibamos letais,

Lançam raízes daninhas.

Não, não são manias minhas,

São... danos colaterais...



Também a publicidade

Terá culpas no cartório,

Pois gera um mundo ilusório

E, distorcendo a verdade,

Derruba a justa igualdade

De um só golpe atentatório



E destes “pequenos sonhos”,

Embora andemos em pêlo,

Investindo e pondo zelo

Até tornar-nos medonhos,

Vamos vivendo, risonhos;

Isto é sonho, ou pesadelo?





Maria João Brito de Sousa – 17.08.2017 – 13.26h

 

HAJA PACIÊNCIA

16.08.17 | Maria João Brito de Sousa

paciencia.jpg

 

Pode ser virtude, ou não,

Essa coisa da paciência

E a verdadeira Ciência

Dirá, sem hesitação,

Que não há paciência em vão,

Pondo a mão na consciência,



Contudo, esta convergência

Poderá gerar tensão

Quando, por qualquer razão,

Tomada por indolência,

Passa a ser subserviência

Por excesso de aceitação...



Mais não vos digo, senão

Que procuro uma evidência,

Não de alguma concorrência,

Nem de oculta altercação,

Mas de melhor solução

Pr`a minha humilde existência



E encontrei, nesta insurgência,

A minha melhor opção,

Apesar da confusão

Que causo a vossa excelência

Que nada entende de essência

E tudo faz à traição...



Um pedido de atenção;

Não foi por conveniência

Que “fintando” a coerência

Desta minha alocução,

Quis dar voz à compulsão

E inventei o tal “vocência”...



Foi, talvez, uma imprudência,

Mas... esta imaginação

Deu-me pr`a brincar... então?

Penso não ser insolência,

Apenas mera apetência

De ir exp`rimentando a ficção...



Foi-me grata, a sensação!

Quem sabe a nova valência

Venha a ganhar permanência?

Pr`a já, fica a confissão;

Não há segunda intenção,

Mas tampouco houve inocência...







Maria João Brito de Sousa- 16.08.2017 – 18.24h

 

Nota . Sextilhas em redondilha maior

 

FÁBULA (quase) HUMORÍSTICA

13.08.17 | Maria João Brito de Sousa

ovelha negra.jpg

 

ODISSEIA DA SEMPITERNA OVELHA NEGRA

------------ FÁBULA EM DÉCIMAS -------------

(com um chavelho partido e alguns órgãos a menos...)



Ou me fizeram à pressa

E fiquei por acabar,

Ou quem me quis melhorar,

Desmontou-me peça a peça

Até chegar à cabeça

Em que nem ousou tocar

Porque, estando em seu lugar,

O melhor será que, a essa,

Nem veja quem me começa,

O resto, a re-programar...





Viva mas já despojada

De alguns órgãos dispensáveis,

Estou entre os mais vulneráveis

Elementos da manada

E, de lã negra trajada,

Entre os menos desejáveis...

Porém, aos menos fiáveis

Não direi nada de nada,

Que ovelha negra, escaldada,

Faz opções quase insondáveis...



Passo pelos companheiros

Que, alegres, me vão saudando;

Nenhum pensa como ou quando...

Estando, por enquanto, inteiros,

Vão por estradas e carreiros...

Vai-os, o dono, enganando

Entretendo e empurrando

Pr`á berma, em despenhadeiros

Onde as copas dos pinheiros

Já mal se vão divisando.



Não sei que papel me cabe

Nesta odisseia final,

Mas sou um velho animal

E bicho vivido sabe

Não prestar quem mais se gabe

De saber quando, afinal,

Pode haver um bicho igual

Que é mais matreiro e se evade...

-Diga-me lá, ó compadre;

Acha que isto acaba mal?



O outro, carneiro velho,

Respondeu que nada achava

E a marchar continuava

Sem dignar-se a dar conselho,

Mas muito ao longe um pardelho

Abrindo as asas, voava...

Que bem que agora calhava

Poder trocar um chavelho

Por asas que fossem espelho

Do que esta alma demandava!



Mas... se chavelhos ostento,

Por que não dar-lhes bom uso?

Já fui vítima de abuso

E se nisto me contento,

Ou apenas me lamento,

Vejo que nada recuso,

Que como qualquer recluso

Aceitei o sofrimento

E lancei a sorte ao vento,

Como ao poço um parafuso!



Se o penso, melhor o faço

E dando forte marrada

No algoz da bicharada,

Projectei-o para o espaço

Para o qual `inda há pedaço

Empurrava a carneirada

Que, agora muito agitada,

De repente freia o passo...

 

-Lá vai o grande madraço!

Nem mais uma chicotada!!!





Maria João Brito de Sousa – 13.08.2017 – 18.38h

 

TROCADILHO III

13.08.17 | Maria João Brito de Sousa

TROCADILHO.jpg

 

TROCADILHO III

(Décima 2 em 1)



"Quiseram, mas... se bateram,

Bateram na porta errada!"



Bater-me à porta vieram,

Vieram de madrugada,

Madrugada adiantada,

Adiantada a escolheram,

Escolheram mas não puderam,

Puderam levar-me nada,

Nada, da casa roubada!

Roubada ver-me quiseram,

“Quiseram, mas... se bateram,

Bateram na porta errada!”





Maria João Brito de Sousa – 13.08. 2017 – 10.14h

 

Respodendo a um desafio do poeta João da Palma Fernandes

 

SEM TÍTULO

12.08.17 | Maria João Brito de Sousa

Le Berceau - Berthe Morisot.jpg

 

Dou conta de que se vai

Pelas horas adentrando,

Crescente, um compasso brando

Que se expande e se contrai,

Que me embala e me distrai

Do que antes estava pensando…

 

É o som que me acompanha

Na gestação dos meus versos;

Vou preparando os seus berços

Pr`a que não pareça estranha

Minha mão, quando os detenha

Nos seus caminhos diversos

 

E depois de aconchegados

Nos seus berços pequeninos,

São versos, ou são meninos?

Choram ou, muito calados,

Sonham rumos mais ousados

E mais ousados destinos?

 

 

Maria João Brito de Sousa - 12.08.2017 – 16.26h

 

Imagem - "Le Berceau" - Berthe Morisot

 

AS DUAS METADES

12.08.17 | Maria João Brito de Sousa

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Um pé no mar, outro em terra,

Pergunto-me, dividida;

-Em qual das margens da vida

Mais o verso se me entrega,

Quando em ambas há refrega

E, em ambas, ando perdida?



Numa, já criei raiz,

Noutra, oiço a maresia

Convidar-me à Poesia

E, nas duas, sou feliz,

Pese o muito que o desdiz

Este assomo de ousadia...



Vou pelas rochas costeiras,

Pisando o chão junto ao mar

Para melhor me encontrar;

Se me coube ser de Oeiras,

É nas horas derradeiras

Que mais a sinto o meu lar...



Oscila-me o coração,

Entre terra e mar sem fim

E, pr`a não sentir-me assim,

Faço como Salomão;

Rasgo a causa da cisão

Em dois pedaços de mim!





Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 20.29h

 

... NO ENTANTO, MOVO-ME!

11.08.17 | Maria João Brito de Sousa

MOVO-ME....jpg

 

 

Sou a “cidadã do mundo”

Que de casa menos sai,

Mas posso, em menos de um ”ai”,

Ir de Oeiras ao Dafundo!

Imaginário fecundo

Não me falta, nem se vai

Lentamente, cai-não-cai,

Desgastando, moribundo

E garanto; num segundo

Ponho-me em Roma, ou Xangai!



Conheço bem o planeta

Pois com enorme atenção,

Eu e Júlio*, num balão,

O visitámos! Cometa?

Cresceu-me um, numa saleta

Destinada a habitação

E, se nada nasce em vão,

Foi nel` que me fiz poeta

Pois mesmo a coisa obsoleta

Há-de ter sua razão



E, melhor que um avião,

Meu avô, numa “veneta”,

Levou-me do que era “treta”

Ao que era grande invenção;

Falou-me de evolução

Com palavras de profeta...

Eu deixei de ser só neta,

Cresci, fiz a minha opção

E cheguei à conclusão

De que a recta, nunca é recta,



Tudo é perspectiva e meta,

Tudo sofre distorção;

Cada humana opinião

É mais ou menos concreta,

Mas outra emerge, indiscreta,

E ocorre a contradição...

Sempre há movimentação

Sobre quanto se projecta,

Nunca nada se completa,

Tudo está sempre em expansão!





Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 13.54h



 

* Júlio – Jules Verne, escritor francês -1828/1905

 

 

 

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