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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

SONETILHO III

31.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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Que tens tu, poeta triste?

Não te bastava a paixão

ter-te apanhado à traição,

no mesmo instante em que a viste,

 

Quando passou, verso em riste,

rima fácil - de canção... -,

para exercer a atracção

que ousou, quando resististe?

 

Eu não te vi de outra forma,

senão assim, grande, imenso...

e sempre fugindo à norma,

 

Tal como eu, segundo penso,

sou quando um verso me adorna,

desde que, em mim, seja intenso...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 31.08.2016 - 18.59h

 

 

Ainda ao meu avô poeta, António de Sousa

 

 

(na fotografia, ao colo de seu pai, António Joaquim de Sousa Júnior)

 

 

 

SONETILHO III

31.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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Que tens tu, poeta triste?

Não te bastava a paixão

ter-te apanhado à traição,

no mesmo instante em que a viste

 

Passar por ti, verso em riste,

rima fácil - de canção... -,

para exercer a atracção

que ousou, quando resististe?

 

Eu não te vi de outra forma,

senão assim, grande, imenso...

e sempre fugindo à norma,

 

Tal como eu, segundo penso,

sou quando um verso me adorna,

desde que, em mim, seja intenso...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 31.08.2016 - 18.59h

 

 

Ainda ao meu avô poeta, António de Sousa

 

 

(na fotografia, ao colo de seu pai, António Joaquim de Sousa Júnior)

 

 

 

SONETILHO II

30.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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SONETILHO II

 

Fui rei da vida e da morte

num tempo em que era menino,

mas nunca cri no destino,

embora cresse na sorte...

 

Se fiz, de um verso, o meu norte,

vi-me em total tal desatino

quando o poema - o ladino... -

me exigiu; - "Melhor, mais forte!"

 

Tomei as rédeas da vida

muito antes de estar perdida

a força que trago em mim

 

E lancei-me na corrida

sabendo ser-me a devida,

esta, tão longa... e com fim...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.08.2016 - 17.34h

 

Ao meu avô poeta, António de Sousa (saudando as águas, nesta fotografia)

 

SONETILHO

30.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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Poema, és razão supina

desta supina loucura

de ser poeta - e sem cura... -

desde que em tempos, menina,

 

Pois se era, então, pequenina,

travessa, alegre, imatura,

já nesse tempo à procura

de ir"dando a volta" à rotina,

 

Dobava as horas do dia

nas voltas que a fantasia

me fiava sem parar;

 

Nem sempre doba quem fia,

mas era já Poesia

quanto eu tecia, ao dobar...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.08.2016 - 12.56h

 

 

SE QUISERES SABER DE MIM...

23.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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SEGUINDO OS POEMAS DE DULCE SALDANHA, ROSANGELA ROCHA, MARIA ZÉLIA GOMES E JOAQUIM SUSTELO

 

 

SE QUERES SABER DE MIM...





Quando queres saber de mim,

Não sabendo onde encontrar-me,

É mais do que certo achar-me

A correr, num frenesim,

Mas não neste meu jardim;

Aonde queiram levar-me,

- enquanto possa aguentar-me... -

Compromissos tão sem fim

Que me vão deixando assim,

Quase à beira de calar-me...



No entanto, inda cá estou,

E, embora espaçadamente,

Não estarei, de todo, ausente

Dos versos em que me dou;

Estou no pouco que sobrou

De um tempo em que eu era gente...

Tudo faço urgentemente

E a mão já me tropeçou

Num verso que nem parou

Pr`a ver se estava "decente"!





Maria João Brito de Sousa - 23.08.2016 - 10.27h



(A correr muito, muito, muito, rsrsrsrs...)

 

 

GLOSANDO UM MOTE DO POETA BENTO TIAGO LANEIRO

13.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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MOTE


FIZ UMA COVA NA AREIA
PARA AFOGAR MINHA MÁGOA
ENTROU NELA O MAR TODO
NÃO ENCHEU A COVA D’ÁGUA.

 

Bento Tiago Laneiro

De Vila Nova de S. Bento,
Amadora, 2016/ 08/ 11

 

GLOSAS

 

"Fiz uma cova na areia"

Quando era pequenininha

E senti-me uma rainha

Quando, em vindo a maré cheia,

Nadei nela, qual sereia,

Porque a cova era só minha!

Do que eu qu`ria, era o que eu tinha

E, quando nada se odeia,

Por pouca coisa se anseia,

Tudo e nada se adivinha...

 

"Para afogar minha mágoa",

Agora que envelheci,

Escrevo, à pressa, por aqui,

Pego em minha gata, afago-a,

Vou ao café... bebo água,

Releio o que já escrevi,

Re-reviso o que já li,

Engulo uma sopa - ou trago-a... -

Porque, à minha escrita, estrago-a

A correr daqui pr`ali...

 

"Entrou nela o mar todo"

E eu não posso devolvê-lo,

Pois mal consigo dizê-lo

Sem sentir que raso o lodo

Em que, já cansada, rodo,

Rodo sobre o cotovelo,

Não conseguindo sustê-lo,

Deste modo ou de outro modo...

Tenho sono e, se incomodo,

Peço desculpa por tê-lo...

 

"Não encheu a cova d`água",

Encheu-me a mim, toda inteira

E devo ter feito asneira

Pois não sinto dor, nem mágoa,

Essa que não trago - ou trago-a? -...

Tudo o que sinto é canseira

E pareço estar à beira

De uma incandescente frágua..

Não podendo mais, sufrago-a;

Levanto, branca, a bandeira!

 

 

Maria João Brito de Sousa - Oeiras, 13.08.2016

 

A FALHA NO SISTEMA II

03.08.16 | Maria João Brito de Sousa

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(Sonetilho)

 

Com anjos não quero nada,

Com diabos, também não,

Pois, embora revoltada,

Quero é tecto e quero é pão

 

Que eu, mesmo velha e cansada,

Sempre cumpro uma função,

Nunca estou sem fazer nada,

Nem que tombe de exaustão;

 

Moldo a rima adequada

Ao poema em colisão

Com a voz que me é negada

Por quem cala, mas diz: - Não!

 

E - garanto! - nem esmagada

Agora me calarão,

Pois, mesmo estando eu calada,

Os meus versos falarão!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 28.07.2008

 

 

A FALHA NO SISTEMA

02.08.16 | Maria João Brito de Sousa

Falha no sistema.jpg

 

Como se pode viver,

Nos tempos que vão correndo,

Com as falhas que vai tendo

Qualquer sistema... qualquer?

 

Cinco rolos de papel

De limpar o "sim-senhor",

Um gel de banho - a compor... -

E um sabonete de mel,

 

De atum, só duas latinhas,

De esparguete, um pacotão

E outra latinha de grão

Mas nenhuma de sardinhas...

 

De feijão-frade, um frasquinho,

Um quilo de arroz Europa,

Nada pr`a lavar a roupa,

Mais um sabonetezinho,

 

Dois pacotes "pevidinha",

Macarronete, um pacote

E mais nada a dar-me o mote;

Trinta dias de fominha!

 

Contas - tantas... - por pagar...

- Não tem ninguém que lhe empreste?

Que raio de lapso este!

Mal consigo acreditar!!!

 

E durante trinta dias,

Estique as latinhas de atum,

Que os grãos de arroz, um a um,

Sempre of`recem garantias,

 

Não causando indigestão,

Se assim forem doseados

Pois, quando bem mastigados,

Compõem a refeição

 

E também esse feijão,

Se dois a dois cozinhados,

Com esse azeite regados,

Podem ser a solução!

 

Ah! Faltou-me mencionar

A bela pasta de dentes

Pr`a que brilhem, sorridentes,

Os dentes... se algum sobrar!

 

 

Maria JoãoBrito de Sousa -28.07.2016