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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

ESBOÇO DE JUSTO PROTESTO EM DOIS BREVÍSSIMOS ACTOS

26.07.16 | Maria João Brito de Sousa

David_-_The_Death_of_Socrates - Jacques-Louis Davi

 

(Décimas)



I

No punho de aço da luta,

No despique das cigarras,

Nesta estaca a que me amarras

Por boa, ou por má conduta,

Nesta constante labuta,

Eu, que desdenho das "farras",

Preparo as pontas das garras

Pr`á defesa - ou pr`á disputa... -

E atenta, ponho-me à escuta,

Do ribombo das fanfarras!



II

Ah, trovador que me narras

Na narrativa impoluta,

Distanciada e resoluta

Com que tanta vez me "agarras",

Faz das cordas das guitarras,

Seta certeira, arma arguta,

Que há sempre um filho da puta

Capaz de jurar que escarras,

Sempre que derrubas barras...

Venha a taça da cicuta!



Maria João Brito de Sousa - 26.07.2016 -18.12h

 


Imagem : "A Morte de Sócrates" -  Jacques-Louis David (1783)



 

OS POETAS TAMBÉM COMEM- Acróstico

26.07.16 | Maria João Brito de Sousa

01.52.jpg

(Acróstico em redondilha maior)

 

Ora digam-me a verdade;

Sabendo que nós, poetas,

 

Privados de bens e "tretas",

Obrigados - sem vontade... -,

Enterrados - quem se evade? -,

Torturados e sem metas,

Abrindo as portas correctas

Sobre a própria Liberdade,

 

Teremos - ou não... - direito

A comer - inda que pouco... -,

Mastigando, a cada soco,

Bocados de algo sem jeito

Em que só não vê defeito

Mente que seja a de um louco...

 

Comemos! Comemos, sim,

Ordens de "corte de esmola",

Mas não coisa que consola

Este estômago que, enfim,

Maldiz ter nascido assim...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2016 - 11.59h

 

 

 

Escrito agora mesmo, de corrida, na sequência da leitura de um poema de ARIEH NATSAC.

PARÁBOLA DA FIANDEIRA E DOS SEUS NOVELOS DE LÃ

26.07.16 | Maria João Brito de Sousa

Fiandeiras.jpg

(Em dois sonetilhos)

 

I

Dobava honestos novelos 
Da lã mais branca e macia
Que naquela aldeia havia...
(ninguém podia era vê-los...)

 

Dobravam-se-lhe os cabelos 
Em tamanho, e - que ousadia! -,
Quanto mais envelhecia,
Menos podia esquecê-los...

 

Lá dobou até esquecer-se
E esqueceu-se até perder-se
Nos tais novelos de lã

 

Até que, em certa manhã,
Já cansada de assim ver-se,
Corta o cabelo bem cerce...

 

II

 

Fala uma: - Ensandeceu!
Se já não podia erguê-los
Devia optar por sustê-los
Num "puxinho", como o meu...

 

Dizem outras: - Que sei eu?
Curtos, ficam mais singelos...
Para quê mantê-los belos,
Quando assim se envelheceu?

 

A velha, muito alheada,
Doba ainda, ensimesmada
E, perdida no vazio,

 

Esvai-se a voz do mulherio
Que, bem alta, ou sussurrada,
Fiava, sem dobar nada...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 25.07.2016 - 15.34h

 

Imagem - "Las Hilanderas" - Velasquez

SEM TÍTULO

14.07.16 | Maria João Brito de Sousa

Rodapés e maçanetas.jpg

SEM TÍTULO

(cortes, cortes, cortes...)

 

 

Rodapés e maçanetas

Não vão à mesa falida,

Pois pr`a ninguém são comida,

Quais pimentas malaguetas

Que muito embora incompletas,

São coisa a ser engolida

Assim que a fome é sentida

Por razões muito concretas,

Mas não me venham com tretas;

Nem esmagadas, nem batidas,

 

Nos poderão ser servidas

Fazendo a vez de omoletas

Ou, quem sabe, costeletas,

Por muito que apetecidas;

Duras e desenxabidas,

Ninguém almoça saletas,

Mesas-de-chá, bicicletas,

Nem sequer mantas roídas

Por traças muito entretidas

Em mastigações discretas...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 13.07.2016 - 21.40h

 

 

AI QUE SAUDADE... (Respondendo ao poema homónimo de Tiago Neto)

01.07.16 | Maria João Brito de Sousa

digitalizar0041.jpg

Ai que saudade

tenho de não ter podido

viver, num tempo perdido,

aquilo que aqui nos narra

ai que saudade

tenho, também, do futuro

desse a que agora não juro

poder lançar minha amarra...

 

Ai que saudade

das saudades que não tinha

quando pintava sozinha

e escrevia em verso branco

ai que saudade

desses dias de abundância,

de fartura, em concordância

com pais de sorriso franco...

 

Ai que saudade

da varanda do Dafundo

que era, então, todo o meu mundo

e também todo o meu céu,

ai que saudade

de sentir-me tão distante

de dar-me a qualquer amante

que não fosse o Tejo meu...

 

Ai que saudade

dessas matas do Jamor

onde aprendi, por amor,

a ser "de dentro pr`a fora",

ai que saudade

de mais tempo pr`aprender

a estar viva, a não perder

tudo o que me perde agora...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.0.2016 - 12.18h

 

(Respondendo ao poema "Ai que Saudade..." , de Tiago Neto, pseudónimo do poeta José Narciso Chilra)