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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

O POETA EM CONSTRUÇÃO

04.06.16 | Maria João Brito de Sousa

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(Décimas)

 

Deixai-o crescer, deixai-o,

que um poeta com talento

faz, do trabalho, argumento

e, como qualquer catraio,

vê crescer, de Maio a Maio,

quantos "ossos" são sustento

do seu "corpo" em crescimento,

tanta vez sem prévio ensaio,

quando a sorte, de soslaio,

lhe dá escória por cimento...

 

Se persiste, há-de crescer!

Sobre os versos que construa

hão-de brilhar Sol e Lua

quando, um dia, alguém o ler,

pois tanto traz pr`a dizer

que não haverá poder

que se oponha a que se instrua

e da força em que se estua

nunca se há-de arrepender!

 

Escava a "cama" da sapata,

bem funda, que a fundação

demanda a força da mão

e a noção mais do que exacta

de que a tua mão contacta

com a mão que amassa o pão

quando assumindo a função

em função de quem contrata

a mão que escava e que acata

o rigor da construção,

 

Mas também à mão que escreve

podes dar a mão, sem medos,

pois também moldam, seus dedos,

do que tem, quanto te deve,

se a estar contigo se atreve

e, pr`a ti, não tem segredos,

nem te envolve em vis enredos

que outras tecem quando, em greve,

tua mão bem alto eleve

seu protesto, os teus degredos!

 

Deixai crescer o poeta,

dai lugar à Poesia,

pois também há mais-valia

numa estrofe quando, erecta,

assuma a força concreta

e não esqueça a teoria!

Jorna a jorna, dia a dia,

exaltada, ou mais discreta,

burila e escava e completa

o que outra mão calaria...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 04.06.2016 - 19.16h

 

 

DUAS DÉCIMAS À MATERNIDADE

01.06.16 | Maria João Brito de Sousa

010.jpg

 

Ainda o corpo sangrava,
já, firme, uma mãe se erguia...
Mesmo de pé pariria
o filho que ao mundo dava!
Num branco pano enrolava
o corpito que dormia
e cheia, embora vazia,
no seio tenso pegava
e à boquita lhe chegava
o colostro que escorria...

Do parto, em dura agonia,
já nem memória restava,
que assim que o filho mamava
logo em forças redobrava
e em mãe se transfigurava
com tão tremenda alegria
que, de um nada de energia,
crescendo, se agigantava
na vida, que alimentava,
do filho, que alvorecia...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.06.2016 - 15.23h