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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

A RECONQUISTA...

19.10.14 | Maria João Brito de Sousa

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Meu gato, velho decano,

Que havia já quase um ano

Me não subia pr`á cama

(peco por excesso, mas  rima!),

Hoje,saltou-lhe pr`a cima

Sem, sequer, vestir pijama!

 

De manhã, muito cedinho,

Entendeu rondar-me o ninho;

Olhou, mediu e, de um salto,

Veio aninhar-se a meu lado,

Junto ao meu corpo deitado

Que, do chão, vira mais alto...

 

A pequena “usurpadora”

Também subiu, sem demora,

E olhou-o contrariada,

Com a cauda num vai-vem...

O velho macho, porém,

Não se importou mesmo nada,

 

Manteve  imponente calma...

Gato decano tem alma

Enquanto orgulho lhe resta!

Daqui não saio, nem morto

E, se isto “der para o torto”,

É porque a "dama" não presta!”

 

Retomada a antiga “posse”,

De um simbolismo tão doce

Quanto difícil de ousar,

Está “deposta” uma invasora

E o meu “patriarca”, agora,

Não mais cede o seu lugar!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.10.2014- 12.09h  ;)

 

A CRIAÇÃO DAS BARCAS

17.10.14 | Maria João Brito de Sousa

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(Criatividade, amor e trabalho)

 

 

Minha terra espreguiçada

Entre Tejo e mar bravio,

Crescendo ao longo do rio,

Pelas ondas abraçada

Como se fora, apressada,

Mergulhar no leito frio

Em que avistasse navio

Onde embarcasse assombrada,

Trocando tudo por nada

Em resposta ao desafio...

 

Barca onde vivo e cresci

Desde que a mim me recordo,

Fruto que afago e que mordo

Tanta vez quantas mordi

Palavras que aqui teci

Nesta presunção de “acordo”

Em que este relato "engordo"

Com mil coisas que  aprendi

Desde o dia em que nasci

E, ao nascer, saltei pr`a bordo

 

Pisando o velho convés,

Tomando os remos nas mãos,

Vencendo os momentos vãos,

Correndo-a de lés a lés

Como se sob os meus pés,

Junto aos pés dos meus irmãos,

Brotassem sonhos tão sãos

Que derrubassem, de vez,

A voragem das marés

Que afogam concidadãos...

 

Barca ideada por mim...

Por tantos mil que, a meu lado,

Fazem do sonho ideado

Luta, projecto e, por fim,

Constroem cama e jardim

Onde era um nada... e nem brado

Seria tido ou achado

Se ninguém sonhasse assim,

Mudando aspereza em cetim

E deserto em verde prado,

 

Onda bravia em corcel,

Madeira em barca e, também,

Berço, edifício de alguém,

Mal um prenúncio de mel,

Vencendo agruras de fel,

O compelisse a ser mãe

De quanto à espécie convém;

Filhos, da carne, a cinzel,

Foice e martelo ou pincel,

Vindos de um sonho que tem...

 

 

Maria João Brito de Sousa – 17.10.2014 – 14.06h