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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

RATIO/CUORE

16.07.14 | Maria João Brito de Sousa

RATIO/CUORE

Lá fica a douta Razão
Incapaz de se afirmar,
Sem forma de se expressar,
Quando o louco Coração
Vem, tomado de paixão,
Pr`a ditar-lhe o que pensar
E, tomando o seu lugar,
Provoca a contradição
Entre a justa opinião
E a paixão que o comandar…

Claro está que a solução
Pr`á coisa se controlar
E a disputa se acalmar
Nem sempre se encontra à mão
Mas, com tanta dissensão,
Há que saber encontrar
Forma de os equilibrar
Ou será certo que, então,
Sem lugar pr`á dissuasão,
Se acabem por confrontar,

Chegando, mesmo, à agressão
Numa ânsia de conquistar,
Persuadir e derrotar
Que os foi tomando, à traição,
E, de cada, fez ladrão
Que, ao outro, tenta roubar
Pr`á seguir, o despojar
Da legítima ambição
Ou da mera inspiração
Que, em si, possa transportar…

O pior da situação
É quando um pede, a chorar,
Que o deixem continuar
E, a outra, a compensação
Pelo excesso de emoção
Que assim fez “desatinar”
E quase” descarrilar”
A sua concentração,
Destruindo a isenção
Do que, aqui, quis demonstrar!

Maria João Brito de Sousa – 12.07.2014, 19.01h


IMAGEM - Tela de Pablo Picasso (fase azul) dedicada ao seu amigo Sabartés

 

DANDO UM ROSTO À VOZ QUE TENHO - Décimas

07.07.14 | Maria João Brito de Sousa

 

Que coisa eu fiz - ou não fiz… -,

Que às coisas que tenho feito

Juntasse nódoa ou defeito

Ou dissesse o que eu nem quis?

Do que o bom senso me diz,

Repito aquilo que aceito;

Ser e estar deste meu jeito

É que me torna feliz

Mesmo ferindo a cicatriz

De algum velho preconceito…

 

Nesta postura me privo

Duma “imagem” que convém

A quem fuja do desdém

De uns – poucos… - com quem convivo,

Mas, se um só ficar cativo,

A mim só me fará bem

Ir um pouco mais além

Sem prender-me ao velho arquivo;

Antes, num poema esquivo,

Dou rosto à voz que o contém!

 

Se frontalmente me assumo

Dando corpo à voz que tenho,

Se escrevo e nem me detenho

Nos planos de um novo rumo,

Se é tão pouco o que consumo,

Se outro rumo, sendo estranho,

Parecer franzir-me o cenho

Como se eu, mero resumo

Da tal “obra” em que me aprumo,

Fosse o que eu própria desdenho,

 

Por quê fingir-me dif`rente?

Pr`a quê “morna e colorida”

Se, directa e desabrida,

Digo tanto a tanta gente?

Pobre, mas nunca indigente,

Pardal bravo ou fera ferida,

Não procurarei, na vida,

Muito mais do que a semente

Que as mais das vezes faz frente

À aridez mais ressequida!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.07.2014 – 18.33h