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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

A UM NÁUFRAGO IN-PERFEITO

07.04.12 | Maria João Brito de Sousa

 

Não sei se tarde, se cedo,
Cruzando as rotas do medo
Sem um único arrepio,
De mãos nuas, desarmadas,
Ao som do meu assobio,
Sobre estas pernas cansadas
De infindas milhas galgadas
Por tantos anos a fio,
Estando calor, estando frio
Desbravo as matas cerradas,
Subo montes, galgo estradas,
Perco o Norte ao arvoredo,
Passo por tanto degredo
Que em horas mais desgraçadas,
Se a saudade vem mais cedo
Encher-me do seu vazio,
Guardo bem fundo o segredo
Do que o meu corpo sentiu…

Cruzando as rotas do medo,
Não sei se tarde, se cedo,
Ouvindo o próprio assobio
Dias e noites a fio,
Esteja calor, esteja frio,
Ressoa no arvoredo
Esse indizível segredo
Que a solidão desmentiu…

Se a saudade vem mais cedo
Encher-me do seu vazio,
Esquecido do assobio,
Perdido no arvoredo,
Horas e horas a fio,
Faça calor, faça frio,
Todo silêncios me quedo…

 



 

Maria João Brito de Sousa – 07.04.2012 – 22.15h

 



A TODOS OS ANIMAIS; HUMANOS E NÃO HUMANOS

06.04.12 | Maria João Brito de Sousa

Se a vida, incansavelmente,
Faz florir nova semente
Sempre que morre uma flor,
Seja por que razão for
A vida é bem mais urgente
Do que os limites que a gente
Por vezes lhe tenta impor

Se, tal como a poesia,
Cante dor, cante alegria,
Irrompe na Primavera
Sem cumprir ordem de espera,
Munida duma ousadia
Que nem mesmo a fantasia
Nos dirá quanto é sincera,

Saibamos que a vida inteira
Que inunda desta maneira
Cada espaço que ocuparmos,
Está em nós e há que negar-nos
Se houver, entre nós, quem queira
Impor-lhe alguma fronteira
Em vez de apenas a amarmos…



 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.04.2012 – 16.43h



Imagem retirada da net, via Google - House sparrow feeding chick :)

ANTES E DEPOIS DE TODAS AS COISAS (pequenas e grandes)

05.04.12 | Maria João Brito de Sousa

 

Antes de todas as coisas
Que poderia ter feito,
Fui ver o ramo em que poisas
E ouvi teu canto perfeito

Tão sublime me soou,
Tão pleno de melodia,
Que, só de ouvi-lo, exultou
Meu corpo em pura harmonia

Com este pulsar da terra
E das marés do seu mar
Vencendo os donos da guerra
Num tempo que é de lutar

Já não penso em desistir,
Que a hora é de acreditar
Nas coisas que estão por vir
Quando outro amanhã chegar

Quando, colhidos os frutos
Que são nossos, por direito,
Lembrar-me-ei, por minutos,
Desse teu canto perfeito…

Desse raminho em que poisas
E donde o teu canto vem,
Depois de todas as coisas,
Hei-de lembrar-me, também…



 

 

Maria João Brito de Sousa – 05.04.201 – 11.39h

A um melro que mora perto de mim, feito à pressa, depois de o escutar… por alguns minutos


AS TEIAS QUE O LUAR TECE

05.04.12 | Maria João Brito de Sousa

 

 

Nas teias que o luar tece
Por cima dos pinheirais,
Vez por outra me acontece
Ver longe e ver muito mais,
Mas, de quanto me aparece,
Nunca vi – nunca, jamais! –,
Nessas visões que ele m`oferece,
Razões que fossem normais…

Vi segredos bem guardados
De vontades por escrever
Atrás de mil cadeados
Qu`inda estão por conceber
Nos traços desencontrados
De enigmas por resolver,
Tão estranhamente esboçados
Que eu nunca pude entender
Por que me foram mostrados
Se não pedira pr`ós ver

Vi, nessas teias benditas
Que o luar teceu pr`a mim,
As mil coisas nunca escritas
Por mãos que fossem assim.

Vi verdades, nessas teias
Que o luar me quis mostrar
E, depois de as ler, deixei-as
Pr`alguém que as soubesse achar

Vi letras de prata pura
Descrevendo esses pinheiros
Com a toda a casta ternura
Dos seus rebentos primeiros

Vi a vida que começa
No recomeço da vida!
Vi puzzles, peça por peça,
Sem me apressar na partida
E, como alguém que tropeça
Em causa desconhecida,
Vi tudo a crescer sem pressa
Ou foi-me a vista traída
Tal qual fosse apenas essa
A razão de eu estar perdida,
Sem certezas nem promessa
De encontrar uma saída…


Nas teias que o luar tece
À noite, sobre os pinhais,
Vez por outra me acontece
Ver longe e ver muito mais,
Mas, de quanto me aparece,
Não pude encontrar, jamais,
Nas transgressões que fornece,
Questões que fossem banais…

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.04.2012 – 23.13h

 

Poema submetido a ligeiras emendas em 07.04.2012