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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

ESTA MINHA DESPENSA...

08.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

Destas mil coisas que arrumo

Nas prateleiras da vida

- sempre metodicamente –

De três quartos, perco o rumo

E, em querendo estar prevenida,

Deveria ser diferente…

 

Mas sou poeta! Afinal

Tenho sempre bons motivos

Para estes meus desnorteios…

Numa despensa normal

Costuma haver aditivos

Pr`a proteger o recheio…

 

Esta despensa, porém,

Vai-se enchendo das ideias

Com que construo os poemas

E, às vezes, fica também

Cheiinha das mesmas teias

Que aos outros causam problemas…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.07.2010 – 19.50h

 

 

 

ESTRELAS CADENTES

07.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

Trago poemas nas veias

E, dos poemas que trago,

Moldo o barro das ideias

De que nasce o mesmo barro…

 

São mil poemas-cadentes

Cravados como punhais,

Cicatrizes transparentes

De quem já viveu demais,

De quem desistiu da vida

Dos neutrões e dos protões

E, ficando assim, perdida,

Se alimentou de canções,

 

De quem não quis, querendo crer

Que o que na vida importava

Era só permanecer

Nas palavras que deixava,

Nesses poemas-cadentes,

Cravados como punhais

Com marcas inaparentes

De quem parte, mas quer mais…

 

Trago poemas nas veias

E, dos poemas que trago,

Moldo o barro das ideias

De que nasce o mesmo barro…

 

 

Maria João Brito de Sousa

INTERMITÊNCIAS E MORTE

06.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

Naquele preciso momento

Do desfraldar dos milénios,

Sem que alguém o predissesse,

Abriu-se a porta do Tempo

E, à revelia dos génios,

Não mais houve quem morresse.

 

Ouvi que se apaixonara

A Morte por um Mortal

Que era músico amador,

Que a paixão lhe saiu cara,

Que acabou por correr mal

Esse baptismo de amor…

 

Gostaria de o ter lido

Mas tão só ouvi dizer

Que o enredo foi narrado

Por alguém que ao ter morrido

Deixou de a tentar deter

E desistiu, já cansado.

 

Mas a Morte, arrependida,

Envergou mantos de luto

Por tão estranho narrador

E fez questão de que a Vida

Tornasse eterno o seu fruto

De Poeta e de Escritor.

 

Há estranhas intermitências

Nestes humanos percursos

E a criação produtiva

Explode em claras transcendências,

Sem sujeitar-se aos recursos

Da convicção punitiva.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.06.2010

 

 

 

A José de Sousa Saramago

 

 

 

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

NÓS, OS HUMANOS MORTAIS

05.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

Nós só traremos na voz

Aquilo que nos sobrar

Da estranha reconstrução

Do que sendo, quando sós,

Pudermos, depois, deixar

À posterior geração.

 

Somos retalhos de vida,

Peças de um puzzle maior

A que sempre faltam peças,

Na procura indesmentida

Da razão, seja qual for,

Das incumpríveis promessas…

 

Somos, geneticamente,

Um genoma idealizado

Pronto pr`a sobreviver

Num planeta estranhamente

Complexo e organizado,

Que está sempre a renascer…

 

Alguns de nós são imunes

Às inclemências da morte

[quando a morte é esquecimento…]

Mas nunca fomos impunes

À lei que diz que o mais forte

Viverá muito mais tempo…

 

Constantemente oscilamos

Entre a dúvida nihilista

E a mais ingénua certeza

Sem saber por onde vamos,

Sem termos a menor pista

E, às vezes, sem pão na mesa…

 

Somos estranhas criaturas

Capazes da construção

De coisas tão excepcionais

Que vão desde ditaduras

À sua contradição…

E, afinal... simples mortais!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

 

POEMA COM NÓ NA GARGANTA

02.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

 

Quando o poema desata

Esse nó que o estrangulava,

Desponta com força tal

Que desatina e delata

Tudo o que então sufocava

E há quem possa ficar mal…

 

Por vezes torna-se hostil

Se alguém o tentar prender

Ou, de algum modo, calar,

Mas nunca será tão vil

Que outro tanto vá fazer

Ao que o tentou sufocar.

 

Poema, desata o nó,

Grita essa tua vontade

Como quem já não tem tempo!

Não cales, não tenhas dó

De quem, negando a verdade,

Ousou roubar-te o talento!

 

Fala da velha censura,

Desses dias de temor

Em que, inventando futuros,

Sonhavas ter a ventura

De dar voz à tua dor

E derrubar velhos muros!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

MÃOS, SERENAS MÃOS...

01.07.10 | Maria João Brito de Sousa

 

Mão serenas - tão serenas… -

Que vieram de tão alto

Para sofrer duras penas

Nesta imensidão de asfalto…

Mãos capazes de moldar,

Do barro, outro homem qualquer,

De construir, de sonhar,

De criar até morrer…

 

Mãos, luminosas candeias

Em noites mansas de Verão,

Tecendo o fio das ideias

Desta humana condição…

 

Mãos fortes, sendo incapazes,

Contudo, de um gesto brusco,

Mãos sensíveis, mãos audazes,

Onde me encontro, se o busco.

 

Mãos feitas de porcelana,

De prenúncios de desejo…

Mãos acesas como a chama

Destes olhos com que as vejo!

 


Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010  – 19.58h

 

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