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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

RIMAS SOLTAS

14.03.09 | Maria João Brito de Sousa

Trinta dias me fugiram

Palavras que não escrevi.

Trinta dias me roubaram

À vid,a que já vivi...

 

Não peço muito ao caminho

Que percorro sem querer

Mas as asas que nasceram

Cresceram sem eu saber

E se as não deito a voar

Passo o tyempo a divagar

E perco o rumo ao dever...

 

Que escrever é um dever

Tão imperioso e urgente

Quanto a sede da semente

Acabada de nascer...

 

Alguém me ditou  fado

De nunca ter felicidade

Se negasse a liberdade

De quem me deu o legado

De um Barco-meio-Acabado

E de um Mar-de-Tempestade...

 

Trinta dias me neguei,

Trinta dias castigada,

Lanço as velas da caneta,

Mergulho no mar que herdei

E escrevo... mesmo amarrada!

 

 

 

 

 

Imagem retirada da internet

FIDEL/FIDELIS

09.03.09 | Maria João Brito de Sousa

Sou um fiel de balança

Cansado de balançar.

De um lado, deitam-me culpas,

No outro, lanço perdões

Pr`á culpa se equilibrar...

 

Mas, por mais que me perdoe,

O das culpas pesa mais

E as vezes fico magoada

Por ser fiel e culpada

De culpas imaginadas

E pecados virtuais...

 

Se o destino me quiser

Por Fiel, até à morte,

Não sei se tanto balanço,

Sem compasso de descanso,

Me fará perder o Norte

E ser apenas... Mulher.

 

 

Poema datado de 1993

REDONDILHAS A OEIRAS

07.03.09 | Maria João Brito de Sousa

Oeiras é uma vila

Que nos fica na memória:

É lindíssima, é tranquila,

Tem património, tem História,

 

Tem instituições de fama,

Jardins de rara beleza…

Só diz que não quem não ama

Terra alguma, com certeza…

 

Tem as praias, os recantos,

As mil coisas que me prendem…

Tem, para mim, mais encantos

Do que julgam ou entendem…

 

Todo o Concelho de Oeiras

Canto nestas redondilhas

Que aqui teço, verdadeiras

Como as suas maravilhas.

 

É e foi a minha terra

Desde o dia em que nasci!

Porque a beleza não cega

Foi nela que eu aprendi.

 

Aqui cresci, fui mulher,

Aqui passei toda a vida,

Me tornei, posso dizer,

Poeta (mesmo escondida...).

 

Trago um sorriso nos lábios,

Abraços por toda a parte!

Esta vila é - dizem sábios –

Um poema, uma obra d`arte!

 

SÓ BRINCO SE FOR A SÉRIO!

06.03.09 | Maria João Brito de Sousa

Só brinco se for a sério!

A brincar… não sei brincar!

Brincadeira é um mistério

Que eu tenho de respeitar!

 

Só brinco se a brincadeira

Me sair do coração!

Terei de ser verdadeira

Ou então… digo que não!

 

Se sinto, digo a verdade.

Se não sinto, nada digo…

Tomo sempre a liberdade

De me afastar… se o consigo…

 

Brincar e correr o risco

De me negar a mim mesma,

Deixa de ser um petisco

E eu fico a sentir-me “lesma”…

 

Ficar assim, sem estrutura,

Incapaz de ter-me “em pé”,

Torna-me, sempre, insegura,

Diminui a minha fé…

 

Quando disser que não brinco,

Que prefiro estar sentada,

Acreditem; deste afinco

Já me não demove nada!

.

Se, a brincar, surge a maldade,

A “coisa” já não m`int`ressa.

Prefiro “ser de verdade”…

Vou-me embora. Tenho pressa!

 

QUANTAS VEZES...

03.03.09 | Maria João Brito de Sousa

Quantas vezes, em passando,

Se dá mais do que o que dá

A gente que vai ficando

À espera do que virá?

 

Quantas vezes, sendo breve

O caminho percorrido,

Nós passamos, ao de leve,

Sentindo ter-nos cumprido?

 

Quantas vezes? Tantas vezes

As horas que se passaram

Entre risos e revezes,

Mesmo poucas, perduraram.

 

Vidas, vidas e mais vidas,

Sendo breves, foram tanto…

Quantas vezes são esquecidas

Entre outras com mais encanto?

 

Vidas breves, apressadas,

Mas que deixaram no mundo

Os seus rastos que, caladas,

Nos deixaram, num segundo…

 

A semente da verdade

É, por vezes, pequenina.

Cresce sempre em liberdade,

Espalha-se e faz-se divina…

 

Assim, sem ter tempo certo,

Mas persistente, empenhada,

Passa tão longe e tão perto,

Deixa tanto, sem ter nada.

 

Quantas vezes encontramos,

Depois de alguém ter morrido,

Aquilo que, em muitos anos,

Nunca fez qualquer sentido?

 

 

 

Nota - Ainda publicado por mim e acabado de fazer, apesar de eu

           estar  convencida que não poetaria por uns dias.

 

FUTUROS

01.03.09 | Maria João Brito de Sousa

Este meu procurar

Muito além do real,

Esta ascese lunar,

Esta busca imparável,

Este sacrificar

Do que for vulnerável,

Este ser, este estar,

Mesmo estando tão mal

Este querer, este dar

Em partilha total

Que se acende num mar

Transcendente e palpável…

Esta coisa de amar,

Este viver instável,

De estar a caminhar

Numa estrada ideal

 

Este medo sem medos

Este mal, este bem

De viver sem segredos

Este não ser ninguém…

 

A METADE DE TI

01.03.09 | Maria João Brito de Sousa

 

Olha!

Reconheces-me ainda

Na maçã de todas as noites de desejo?

Reconheces-me agora

No nardo puro que derramei no teu cansaço?

Reconhecer-me-ás depois

Quando o teu filho te souber olhar nos olhos?

 

Olha!

Repara que continuo serena e imutável.

Repara como oscilo entre a verticalidade

Da minha fé e a horizontal do teu desassossego…

Repara em mim!

Repara em mim que sempre estive à tua espera

No desconforto do parto, na saudade da partida,

Na urgência dos sentidos e na solidão da viuvez…

 

Repara!

Nos sulcos que as lágrimas me lavraram na face,

No ventre sempre em flor que te dei na Primavera,

No seio que te ofereci quando menino e homem,

Nas mãos que, dia a dia, te amassaram o pão…

 

Repara,

Repara em mim! Filha, companheira, irmã e mãe…

Eu sou essa metade de ti que não conheces!

 

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