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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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DESTA ÁGUA NÃO MAIS BEBEREI

28.03.09 | Maria João Brito de Sousa

 

 

Rasgam-se montanhas.

Fundem-se correntes.

Gritam, metálicos gritos,

Engrenagens de um tempo

Que alguém transformou

Em rodas dentadas

E os meus braços, estendidos como limos,

Impotentes, cansados,

Pedem utopias

E alcançam memórias

De crianças que me amaram

Mal as pus no mundo.

 

Mãozinhas que me arranhavam a cara,

Pezitos minúsculos que eu beijava

Como se fossem a única coisa

Que merecesse a doçura do beijo.

Vozitas agudas que me chamavam Mãe...

 

Farrapos de memórias,

Fragmentos de um amor que não voltará,

As meninas que sobreviveram

Às crianças que foram,

Não sabem nem sonham

O quanto as amei...

 

As belas asas que lhes teci,

Dia após dia,

Arrancou-lhas o mundo lá de fora

Pena a pena

E eu choro por elas

E pela menina em mim

Que hoje não consigo ressuscitar...

 

 

1994

 

4 comentários

  • É muito nostálgica e muito magoada, sim, amigo, mas é um poema escrito há quinze anos e nós aprendemos a sobreviver a tudo e mais alguma coisa. Eu aprendi.
    Abraço grande!
  • Imagem de perfil

    Fisga

    30.03.09

    Olá amiga. Foi provavelmente numa fase mais triste da tua vida. todos nós passamos fases mais negras e menos, é mesmo assim, só há o mais porque há também o menos e vice-versa. Felizmente para ti que aprendeste a sobreviver. Abraço Eduardo.
  • Estive quase a ver que não, amigo, mas acabei por sobreviver mesmo! mas não foi nada fácil, acredita.
    Abraço grande.
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