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http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt

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EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

por muito pequenos que pareçam ser... NOTA - ESTE BLOG JAMAIS SERVIRÁ CAFÉS! ACABO DE DESCOBRIR QUE OS DOWNLOADS SE PAGAM CAROS...

ANAMNESE

19.03.09 | Maria João Brito de Sousa

 

 Por aqui passo tão leve,

Num passo largo e tão breve,

Que ninguém me vê passar...

 

Passo sem deixar pegada

Na terra ou na erva mansa,

Deixo aqui uma palavra,

Deixo ali uma ternura

Nos braços de uma criança...

 

E passo tão de repente,

Tão brevezinha e sumida,

Que, mesmo sem estar escondida,

Não passo por entre a gente...

 

Passo tão leve que o céu

Não está mais perto que eu

Das aves e das estrelas

E, de tão leve passar,

Eu já não sou eu... sou elas.

 

Poderia ser fantasma,

Erva do prado, criança,

Brisa que sopra no Verão

Ou leve sopro de esp`rança...

 

Um dia, quando chegar

A hora de não voltar

A passar, nem levemente,

Mesmo assim há-de ficar

Um pouco de mim a amar

Dentro de cada semente

 

E um pouco de mim no vento,

Quando sopra de mansinho

E um pouco de mim, sonhando,

No oco de cada ninho...

 

Hei-de ficar tão de leve

Quanto passei pela vida

E ninguém me encontrará

Mesmo sem eu estar escondida...

 

Que eu não quero ser ninguém

Pois ninguém me conheceu.

[por isso nunca fui Eu]

 

Se ninguém me conheceu,

Como posso ser esquecida?

 

 

Nota - Poema não datado, escrito aos meus vinte e poucos anos, se bem me lembro...

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