.EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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Terça-feira, 3 de Abril de 2018

MEIO MANTO, O DE MARTINHO...

ARMINHO.jpg

 

MEIO MANTO, O DE MARTINHO

I

Nunca quebro os pés da quadra,

Quebro os pés com que caminho

Ao longo do que adivinho

Ser uma anónima estrada

Já velha e mal empedrada

Onde, passinho a passinho,

Por vezes sem pão, nem vinho,

Prossigo esta caminhada

Ora neutra, ora enfeitada

Por algo bem comezinho;



II

Se é Natal, por azevinho,

Mas, na Páscoa, amendoada,

Num bom folar cozinhada

Com mestria, com carinho,

Não fique outro irmão sozinho

Quando eu farta, alimentada

E pla vida agasalhada,

Guardo o manto de Martinho

Inteiro, muito inteirinho,

Sem sentir-me, eu, espoliada.



III

Não quebro a pedra à calçada,

Quebro a vida, ninho a ninho,

Se usar seda em vez de linho

E for de ouro a minha espada;

Não sei de espada dourada

Que não matasse um vizinho,

Que respeitasse um velhinho

Quando desembainhada...

Eu, que não trespasso nada,

Uso um meio, o de Martinho.



III

Deixo que o pequeno arminho

Crie em paz uma ninhada

E, caso trema gelada,

Engendro as tramas de um linho

Que teço devagarinho

Ao tear, bem concentrada...

A chama mais apagada

Há-de aquecer-me, é certinho!

Meio manto, o de Martinho,

Meio, o meu...estou-lhe irmanada!





Maria João Brito de Sousa – 03.04.2018 -15.15h





 


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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

PESCARIA(S)

PESCARIA.jpg

 

A PESCARIA



I

Lanço a fateixa. A jangada

Estremece e fica parada

No meu mar de beira rio...

À rede, já remendada,

Lanço-a à água... é tudo ou nada,

Que trago o bote vazio;

Venha atum, raia e safio,

Quando a malha for puxada

E outro mar de água salgada

Dela escorrer, fio a fio!



II

Mas se entre as malhas da rede

Não há peixes de verdade

E eu cometo a veleidade

De usá-los como quem cede

À distância que se mede

Entre invenção e verdade

Quando o poema me invade,

Que sede dessoutra sede

Que a minha sede precede,

Traz e leva, a quem nem pede,

Filhos do meu mar de jade?



III

Cordas que apenas invento

Tecem-me as malhas da vida

E a barca foi-me erigida

Num mar que eu mesma sustento...

Meus remos? Sopros de vento

À espera do que eu decida;

Se quero a fateixa erguida

Sobre um mar tão turbulento,

Ou se imóvel me contento

E lanço a rede em seguida.



IV

Pra que banquete, afinal,

Nos convida este poema

Se a autora finge que rema

No mar do seu próprio sal?

Em que jangada irreal

Singra as ondas do fonema?

Quem nos diz que vale a pena?

Quem jura não ser por mal

Que estende no areal

Uma ilusão pura e plena?

 

V

Parábola, alegoria,

Mas não mera brincadeira,

Pois não é coisa ligeira

Criar-se a malha vazia

Que, mais dia, menos dia,

Se há-de tornar verdadeira

Já que sempre achou maneira

De dar corpo à pescaria;

Mais pesca quem mais porfia

E, esta, porfia-se inteira!

 



Maria João Brito de Sousa – 02.04.2018 – 19.52h

 

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Quarta-feira, 28 de Março de 2018

A UM AMIGO QUE GANHOU TRÊS NETOS DE UMA ASSENTADA

podium.jpg

 

AOS TRIGÉMEOS DO JOAQUIM,

POR ORDEM DE CHEGADA



Qual dos três nasceu primeiro?

Eu aposto que, educado,

O Tomás não pôs de lado

Um gesto de cavalheiro

E ficou pra derradeiro,

Inda que sendo tentado

Pelo muito ambicionado

Título de pioneiro.



Não me falta a confiança,

Já que aposto na menina!

Apesar de pequenina,

Avançou, toda pujança,

(nada a prende e nada a cansa)

Porque uma mulher domina

Estas coisas da rotina;

A primeira foi Constança!(?)



Depois, o pequeno Gui,

Fez o percurso, também,

Entre a barriga da mãe

E quem o esperava aqui...

Apostei! Ganhei? Perdi?

Lanço a aposta a mais alguém,

Porque tudo o que sei bem

É que sei que nada vi...





Maria João Brito de Sousa – 28.03.2018 – 17.15h







 


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Sexta-feira, 23 de Março de 2018

PRIMAVERA, PRIMAVERA

chuva-38.jpg

 

PRIMAVERA, PRIMAVERA...



(acróstico em redondilha menor)



Primeiro chegaste

Radiosa, brilhante,

Idílica amante,

Mátria, quanto baste,

Amável gritaste

Vitória vibrante...

Erraste se errante

Rimaste o que erraste

Até que mudaste,



Pois, logo a seguir,

Recuaste insegura,

Impávida e escura,

Mudando o porvir,

Alerta ao sentir

Ventos, não ventura,

Embora a Natura

Ralhasse a sorrir:

- Andas a mentir!

 



Maria João Brito de Sousa

23.03.2018 – 13.42h

 


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Quinta-feira, 22 de Março de 2018

SOBREIROS QUE ASSOBIAM E HOMENS QUE GANHAM RAÍZES

Sobreiro que assobia.jpg

 

SOBREIROS QUE ASSOBIAM

E

HOMENS QUE GANHAM RAÍZES

 



Há sobreiros que assobiam

e homens que ganham raízes;

Há secas, incêndios, crises

e outros dramas que arrepiam

os que os viam – quando os viam...-,

nas bridas e cicatrizes

dos pardais, pombas, perdizes

que há bem pouco percorriam

azuis, nos quais se perdiam,

livres, selvagens, felizes...



Extingue-se uma espécie inteira,

mas quantos vão percebendo

quanto estamos, nós, perdendo

por fazermos tanta asneira?

“Não terá sido a primeira,

tanta vida vai morrendo...”,

lembra alguém numa cimeira

que não passa a referendo



Já que a mão do capital

(grande prestigitador...)

usa as armas do terror

e a anestesia geral

pra fazer passar o mal

sem que demos pela dor...

(nem sei qual será pior;

se este humano desamor,

ou se a chaga ambiental...)



Sei que tudo, tudo muda

neste universo (in)finito,

mas se da Terra oiço o grito,

não haverá quem me iluda

e se gritar pouco ajuda,

não dou dito por não dito,

solto este poema escrito

pra que alguém hoje sacuda

da dormência em que se escuda...

Sou poeta, inda acredito!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.03.2018 – 19.05h

 


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Quarta-feira, 21 de Março de 2018

A CASA DA POESIA (no Dia Mundial da Poesia)

SINCELO.jpg

 

Minha casa é de sincelo,

vítrea, pequenina e fria

e eu, a quem tudo arrepia,

mesmo assim gosto de vê-lo

construindo algo de belo

na velha casa vazia

do tanto que antes havia,

do tanto que hoje, esquecê-lo,

erro fora e, a cometê-lo,

eu jamais me atreveria.





Na velha casa, congelo,

mas é grande a sintonia

entre quanto me avaria,

e este Inverno... só por sê-lo.

Nesta casa - o meu castelo -

há quanto eu desejaria,

que a minha filosofia

é ter pouco, é ser singelo,

é cuidar, com gosto e zelo,

da casa da Poesia!



Maria João Brito de Sousa

21.03.2018 – 11.8h

 


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Sexta-feira, 16 de Março de 2018

TUTU DE FEIJÃO

Tutu_feijao_mineiroooo.jpg

 

 

Quero um Tutu de feijão,

que ao bom “virado à paulista”

não creio que alguém resista

e eu não serei excepção!

 

Bem temp`rado e engrossado

com milho ou com mandioca,

se no ponto e bem temp`rado,

faz crescer água na boca!

 

Tutu paulista, ou mineiro

espalha, por todo o Brasil,

um cheirinho brasileiro

que não se esgota no Rio...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.03.2018 – 14.00h

 


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O DIA DO PI

PI.jpg

Ontem foi dia do Pi

Que o meu teclado não tem...

Ou fui eu que não vi bem

E que nem sequer o vi?



É número irracional

E eu, que racional nasci,

Sentir-me-ia bem mal,

Caso o não trouxesse aqui



E se fujo aos dias ditos

De acordo comercial,

Aos do “pi”, que acho bonitos,

Não vejo razão pra tal...



Viva o Pi! Raio da Terra

Quando ao quadrado de si

Se eleva e depois nos ferra

Com a vastidão do Pi!



Maria João Brito de Sousa – 15.03.2018



 

 

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Quarta-feira, 14 de Março de 2018

ISCAS COM... GRALHAS

 

 Que ricas, que ricas iscas

Sem gralhas, mas com batatas!

Boas em todas as datas,

Como as velhas pataniscas

Que às pessoas mais ariscas,

As do "ragôut" e das natas,

Os ditos aristocratas

Que não tocas, nem beliscas,

Parecem coisitas piscas,

Mas, pra mim, que uso alpercatas,



Ou sandálias, pois então!,

São verdadeiro manjar,

Pitéus para degustar

Até à... indigestão,

Não fora a dona Razão

Dizer que é melhor parar,

Que ir atrás do paladar

Sem lhe meter um travão,

É não ter em atenção

O que a razão nos ditar...



Embora, em tempos antigos,

Só comesse “haute cuisine”,

Hoje, isso não me define

E, agora, até como artigos,

Verbos, vírgulas... amigos,

Perdoai que eu desafine

E que, às vezes, desatine;

Troco fonemas por figos,

Nem sequer vislumbro os p`rigos

Por muito que raciocine,



Me concentre e tente vê-los,

A verdade é que me escapam

E entre os figos se me alapam...

Eu fico pelos cabelos;

Tento construir castelos,

Nascem gralhas que derrapam

Na rigidez dos meus zelos...

Mais valera nunca erguê-los,

Mas, alguns, a mim se atracam

Qu`rendo ver se se destacam,

Se vão, ou não, crescer belos...



O tal “dolce fare niente”

Não foi feito para mim,

Embora esteja no fim

Do meu percurso de gente...

Enfim, serei imprudente,

Mas prossigo mesmo assim!

Que hei-de fazer se o jardim

Já não está tão florescente,

Nem mais, como antigamente,

Cheira a cravo e a alecrim

Um chão que foi benjamim

De alguém bem mais competente?





Maria João Brito de Sousa – 14.03.2018 -15.48h

 

GRALHAS.jpg

 

 


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COM DEFEITO DE FABRICO

ROUAULT.jpg

 

Sou bicho mal acabado

Com defeito de fabrico...

Muito me esforço e me estico

Pr`aguentar, deste legado,

O peso, o peso pesado

Que, contudo, não critico;

Estou neste “fico, não fico”

Que me vem desde um passado

Há muito tempo traçado

Por um gene “mafarrico”...



Ponta abaixo, ponta acima,

Feita em cima do joelho,

Tudo, em mim, está gasto e velho,

Não sou nenhuma obra-prima

E se sou forte na rima,

No demais... não me aconselho!

No entanto, é bem vermelho

O coração que me anima

E, batendo, me sublima,

Desde que não me olhe ao espelho,



Porque se ao espelho me olhasse

E ao meu reflexo imperfeito

Guardasse dentro do peito,

Talvez de mim não gostasse

E um reflexo me bastasse

Pra não ver senão defeito

Quando tendo, afinal, jeito,

Não deixo que o tempo passe

Sem opor-me ao desenlace

Com mais um verso escorreito...





Maria João Brito de Sousa – 14.03.2018 – 11.02h

 


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