.EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

AOS QUE SE ACENDEM NA LUTA!

 

(Décimas)

 

 

Aos que se acendem na luta,

Aos que se apagam na fome,

Aos que vão morrendo em nome

De uns banais filhos da puta

Que lhes roubam, da labuta,

Quanto lucro os engordou,

Lá, onde o lucro os cegou

E onde a garra do poder

Que não pára de crescer

Cruamente se fincou

 

Sem que os direitos de um povo

Fossem, sequer, respeitados,

Garantidos, preservados,

Tudo a bem de um “mundo novo”

Que el` condena e que eu reprovo

Na palavra e nas acções

E até nas contradições

A que el` venha a estar sujeito

Pela mão de um burro eleito

E outros tantos aldrabões,

 

A todos esses, a quantos

Sem descanso resistirem

Mesmo se um dia caírem

Na dureza dos quebrantos

- que serão certos e  tantos… -

Mas  que nem por isso lentos,

Possam ficar sempre atentos

Sem mudar de direcção,

Sempre opondo a voz do não

Aos subornos truculentos,

 

À luta dos companheiros,

Àqueles que nas “barricadas”,

Sem espingardas, nem granadas,

Que no frente a frente, inteiros,

Com a força de guerreiros,

Contra tal barbaridade

Ergam presença e vontade,

Deixo os versos que escrever!

Depois, venha o que vier,

Terei estado entre os primeiros!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.11.2013 - 21.02h

 

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Sábado, 16 de Novembro de 2013

RAZÕES PARA UMA BOA AUSCULTAÇÃO DA MISÉRIA SOCIAL ENDÉMICA

SEIS DÉCIMAS PARA BEM AUSCULTAR E DIAGNOSTICAR AS OCULTAS CAUSAS DA POBREZA SOCIAL ENDÉMICA, SEGUNDO A BOA PRÁTICA DA MEDICINA POPULAR

 

 

 

 

 

Com quantas lágrimas verte,

Com quanta dor te arrebanha,

Te aborda e depois se entranha,

Vem a miséria que, ao ver-te,

Te condena, te perverte,

Faz de ti farrapo humano,

Te lança no desengano,

Te desgraça, te desdenha,

Te transforma em coisa estranha

Pr`a melhor poder perder-te!

 

Vem, quando menos sonhavas,

Infiltrar-se, sorrateira,

Estudando a melhor maneira

De açambarcar quanto amavas,

De negar quanto aspiravas,

De minar-te a resistência

Quando, com estranha insistência,

Te obriga a ser quem não queres,

Desmentindo o que disseres

Pr`a tomar-te a dianteira… 

 

Muito poucos voltarão

A dar-te o valor que tens,

Que ela não rouba só bens,

Muda, inteira, a condição

E, além de tirar-te o pão,

Coloca-te uma etiqueta

Das que abundam na sarjeta

Dos humanos preconceitos

Onde alguns poucos “eleitos”

Encontram fama e razão…   

 

Quão mais ambígua, mais duro

Se torna o jugo que impôs

Sobre a voz da tua voz

Quando aperta, furo a furo,

O cinto com que o esconjuro

Te abraçou nesse momento

Em que, sem outro argumento,

Te afastou de quanto amaste

E logo, em claro contraste,

Traça o teu próprio futuro  

 

Pois assim que essa armadilha

Por elites preparada,

Tão fatal, tão bem estudada,

Que nem a própria partilha

Bloqueia os rumos que trilha,

Estende-se tão triunfante,

Como se fora um gigante

De bocarra escancarada

Cravando, pela calada,

A dentuça acutilante,

 

 

E, munida de mil manhas

Bem escondidinhas na manga,

Faz, de um irmão, seu “capanga”

Com duas ou três patranhas

De opacidades tamanhas,

Que, nas malhas enrededado,

Já nem sabes pr`a que lado

Te empurra essa dura canga;

Se pr`á miséria, ou  pr`á “tanga”

De quem, de ti, fez “coitado”!

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 15.11.2013 – 14.47h

 

 

 NOTA - Segue sem imagem porque o editor não está - espero que pontualmente... - a fornecer a opção de imagem de arquivo do computador

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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2013

(CON)TRASTE - Seis décimas para desafiar a mo(r)te sem glosar mote algum

Voz do comando final

Destoutra rebelião,

Mesmo que eu diga que não,

Que te erga o punho e proteste

Negando que aqui vieste

Sem bater, nem dar sinal,

Pôr fim, a bem ou a mal,

A quanto sobre à função

De ir conjugando alma e mão

Em versos que me não deste

E, decerto, não escreveste,

Mas nas quais deixaste o sal,

 

De nada me servirá,

Mas… que fazer, se esta vida

Me pede pr`a ser vivida

Toda do lado de cá?

Sei que, nem boa, nem má,

Esse teu ciclo cumprindo,

Não te orgulhas de ter vindo

E, à força de tão cumprida,

Tanto te faz que eu decida

Dizer que de ti prescindo…

 

Alguns chamam-te destino,

Eu, muito pelo contrário,

Dar-te-ei, de modo vário,

Um nome menos latino,

Mais simples, mais pequenino,

Em jeito de desafio

Pois, já que morro de frio,

De ti cobro o estranho erário

De mudar-te o corolário

Nas contas que aqui desfio!

 

Aqui deixo, à revelia

Da vontade que nem tens,

Como se escólio de bens,

O nome que me ocorreu

Pois, nem inferno, nem céu,

Antes sal de humana origem,

Me surge em estranha vertigem

Num verso a que não convéns

Já que terminá-lo vens

Quando o sei ser muito meu,  

 

Ponto final que resultas

De um percurso acidentado,

Circunstância, tempo errado,

Poder no qual nunca exultas,

(Sei que as pessoas mais… “cultas”

criticarão quanto digo,

mas, “isto” nasceu comigo

e trago-o tão bem pensado,

tão sentido e tão estudado,

que ouso e desdenho um tal p`rigo!)

 

Coisa comum que magoas,

Banalidade inclemente

Que arrebatas são, doente,

Gentes mesquinhas e boas,

Que, num segundo, atordoas

E noutro te retiraste

De quanta dor cá deixaste,

Só sei que fico contente

Por saber fazer-te frente

Quando te chamo “(con)traste”!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 08.11.2013 – 14.31

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

1º PRÉMIO, NA CATEGORIA "POESIA OBRIGADA A MOTE", DOS XXI JOGOS FLORAIS DO OUTONO - MONFORTE, 2013

 

 

MOTE


 

“És vida, poema e cor,

Que sais da terra fresquinha,

Espelho, pureza, esplendor,

Fonte da vila, rainha.”


 

Rosa Pires


 

 

À velha fonte de Monforte


 

Dentre as fontes que não vi

Nas terras com que sonhei

Mas nunca visitarei,

Conta-se uma que, daqui,

Destes versos me sorri

E que evoco aberta em flor,

À qual teço o meu louvor

Numas rimas que ensaiei

E com as quais lhe direi;

“És vida, poema e cor”!

 

Imagino-te o perfil

Na branca pedra talhado,

Em contraluz recortado

Num céu de límpido anil,

Sobressaindo, gentil,

Como se tu fosses minha

E viesses, muito azinha,

Of`recer-te toda inteira,

Ó água tão verdadeira

“Que sais da terra fresquinha”!

 

Por tudo aquilo que vejo

Neste sonhar-te acordada,

Direi que és fonte encantada

Que, aproveitando este ensejo,

Tento louvar, mas fraquejo

Por falta do estranho ardor

De quem tem real valor,

E tu, acima de tudo,

És, do brilho em que eu me iludo,

“Espelho, pureza, esplendor”…

 

Portanto, fonte bendita

Que os olhos me deslumbraste

Com tão perfeito contraste,

Tal visão só me suscita

Jovem que, sendo bonita,

Por mim passasse, sozinha,

Derramando a pucarinha,

E menos não sei chamar-te

Do que sublime obra de arte,

“Fonte da vila, rainha”!

 

 

 

Joana Pardal (pseudónimo)


 

Maria João Brito de Sousa - 2013

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