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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

SEXTILHAS A UM FIM DO MUNDO NO DESEMPREGO

 

(Poema satírico)

 

O Fim do Mundo, à cautela,

Pr`a não melindrar ninguém,

Pressentindo alguns sinais,

Munido duma tabela,

Foi informar-se, em Belém,

De outras tragédias rivais…

 

Entrou mudo e foi calado

Que acabou por desistir

De auscultar este governo…

Estava o país tão estragado

Que deu consigo a sorrir

Já comovido e fraterno…

 

Fez uma constatação

Perante a visita de estado

Que tanto o amoleceu,

Pois mostrou ter coração

- apesar de bem guardado… -

E foi isto o que entendeu;

 

“Com “sábios” deste calibre,

Na condução do país,

Mais me vale nada fazer!

Há lá quem os equilibre

Se cortam, pela raiz,

Quanto os faria crescer?

 

Se ao próprio povo retiram

O trabalho, a dignidade,

A segurança, o abrigo

E só em cifrões se miram,

Nem terão sagacidade

Para entender outro perigo!

 

Passo a ser um Fim do Mundo

Sem nada para fazer,

Muito jovem pr`á reforma,

Sem o conforto de um “fundo”

E, sem côdea que comer…

Tornei-me parte da norma!”

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.12.2012 – 17.24h

 

 

 

Imagem retirada da net, via Google

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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

O DIAGNÓSTICO (de rede...) POSSÍVEL...

 

Por tudo e nada me cai

Esta absurda ligação

Que nunca sei quando vai

Deixar-me a escrever… à mão!

 

Já estou gasta de a afinar,

Cansada de a ver cair,

Quase em fúria de a ligar

E à beira de desistir…

Não sei de asma padece,

Nem se sofre de enxaquecas

Pois com tantas camoecas,

Tantas Cecas, tantas Mecas,

Nem sabê-lo me esclarece!

Pode ser coisa bicuda,

Caso raro e nunca visto,

Mas, sendo teimosa, insisto

E, nada entendendo disto,

Preciso de quem me acuda

Pois, se não, fico “apeada”

Nesta luta desigual

Sem poder levar-lhe a mal

Porque a coisa é virtual

E eu posso até estar errada

No diagnóstico final

Receitando-lhe a pomada

Que lhe não serve pr`a nada

Ou que a deixe agoniada

Tornando o caso letal…

 

Por tudo e nada se esfuma

“Esta” que me põe na “rede”

E eu, à espera que se assuma,

Dou tudo o que ela me pede!

 

Dei-lhe xarope pr`á tosse,

Auscultei-a por mil vezes,

Perscrutei-lhe urina e fezes,

Mediquei-a pr`a três meses

À espera que ela se fosse,

Mas o raio da magana

Nem assim se aquietou!

De mil náuseas se queixou

E, no final, vomitou

Um pingente, em filigrana,

Cinco telas de Picasso,

Um psiché vitoriano,

Uma espingarda, sem cano,

Duas bonecas de pano

E um esfregão de palha de aço!!!



 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.12.2012 – 15.03h

 

 

 

 

 

 

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Domingo, 9 de Dezembro de 2012

SEXTILHAS A UMA ESTIRPE PARTICULARMENTE VIRULENTA DE E. COLI

É só um Coli, senhor,

Mas provoca uma tal dor,

Tanto ardor, tanta agonia,

Que parece um ditador

Traçando um plano invasor

Que a Merkel lhe invejaria!

 

Estando já pronta a cultura,

Na caixinha de Petri,

Mostrou ser estirpe sem cura,

Uma entendida em tortura

Que, acima de tudo, jura

Haver de instalar-se aqui…

 

Tem seu jogo arquitectado;

Dar-me conta da paciência

E ir-me às poupanças de Estado!

Em despesas de mercado

Foi um ror que, bem contado,

Cobriria outra emergência!

Nem com cefalosporinas

De terceira geração,

Benurons, chás, aspirinas,

Cortisol, balas e minas,

Mezinhas, grossas ou finas,

Ele aceita a rendição!

 

É só um Coli, vos juro,

Mas porque é que me não curo,

Porque é que o estranho ocupante

Não morre, redondo e duro,

Por aí, num canto escuro,

E prossegue triunfante?

 

Coisas deste imperialismo

Que anda pr`aí a grassar…

Ocupando um organismo,

Boicota-lhe o mecanismo

E aproveita o conformismo

Para a vida lhe sugar…

Pobres das minhas defesas!

Meu sistema imunitário

Caiu no rol das tais presas

Que nem revoltas, nem rezas,

Nem poemas, nem certezas,

Livraram de tal fadário!

 

Um Coli, simples, banal,

Que, em desgoverno total,

Me devassa a conjuntura

E ascende, em modo imperial,

Ao despudor infernal

De me impor tal ditadura!!!


 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.12.2012 – 11.54h



NOTA - Este poema baseia-se numa infecção real  e sofrida, no presente, pela autora. Quaisquer semelhanças com o momento político que o nosso país, ou qualquer país europeu, atrevesse, é mera coincidência...

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