.EIS AS MONTANHAS QUE OS RATOS VÃO PARINDO

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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

TIA MARIA DAS PULGAS

 

Tia Maria das Pulgas

Deixou duas “cagadelas”

Na barriga do meu cão

E eu fui logo atrás dela

- sou mais lesta do que julgas! –

Para lhe dizer que não;


- Está quieto, ó bicho "ourado"

Que tens a barriga cheia

Do sangue que foi roubado

À minha nobre alcateia!


Mas a pulga era teimosa

E só queria usufruir

Da refeição copiosa

Que ali estava a descobrir…


- Se me quiseres expulsar

Vais ter muito que fazer

Pois se eu começo a pular,

Tu nem me consegues ver!


`Inda hoje a “caça “prossegue,

Eu estou quase a desistir

E o meu cão diz que consegue

Ouvir a pulguita a rir…

 

 

 


Maria João Brito de Sousa – 26.09.2010 – 16.39h

 

 

Mais um poema para os mais pequeninos

 

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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

ABSOLVIÇÃO

 

Eu só te absolvo

Se a tua alma deixar, se arrependida

Chorar ajoelhada e decidida

A resolver o que eu já não resolvo.


Eu nada peço

Senão este luar de horas de espanto

Que me traga mais luz noutro recanto

Do que a do estranho encanto em que me teço.


Só te recordo

Quando alguém me falar dessoutro tempo

Em que leguei ao mundo o meu talento

Sem desfazer, mais tarde, o louco acordo


E parto,

Pois nunca mais ninguém irá obstar

A que venda os meus dias de luar

Por tão absurdo, inalcançável preço…

 

 

Maria João Brito de Sousa

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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

VOSSO SUL, SEMPRE O MEU NORTE!

 

Vosso silêncio, vos juro,

Me soa desafinado…

Tanto assim que, no futuro,

Por cada silêncio impuro

Vos terei posto de lado…


Vossas conversas banais,

Dão-me náuseas e entorpecem!

De vós, os ditos “normais”,

Não quero ouvir muito mais…

Vou-me antes que recomecem!


Vossos sonhos, vos garanto,

São meus piores pesadelos!

Carros, jóias e bons mantos

São vossos maiores encantos

E eu cá não quero nem vê-los!

 

Vossas viagens grosseiras

Aborrecem-me de morte

E nas vossas brincadeiras

Não vejo senão canseiras…

Vosso Sul, sempre o meu Norte!

 

 


Maria João Brito de Sousa – 23.09.2010 – 09.20h

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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

CADA POEMA

 

Cada poema

Tem asas de papel nascendo incertas

Como velas rumando à descoberta

Da Ilha de S. Nunca da partida


Quando ressurge,

Muito embora vencido é temerário

Como a luta tenaz de cada operário

Que aspira à igualdade prometida


Onde um termina,

Começa um outro verso inevitável,

Cada um deles gerando um infindável

Rosário das memórias de uma vida…


Cada poema

Tem alma de mulher, corpo de chama

De aonde irrompe a voz que então proclama

O culminar da luz na pele rendida


Cada poema

É raiva, urgência, amor,

Silêncio, grito e voz da mesma dor

Numa explosão domada ou incontida


Cada poema

É mais do que uma inércia, é um transporte,

É eixo, é a matriz deste suporte

Das minhas transgressões de fera ferida


Cada poema

Tem sempre a dimensão de um corpo estranho,

Imensurável, pois não tem tamanho,

Porta-voz da vontade indesmentida


Quando ressurge,

Muito embora vencido é temerário

Como a luta tenaz de cada operário

Que aspira à igualdade prometida


Onde um termina,

Começa um novo verso inevitável,

Cada um deles gerando um infindável

Rosário das memórias de uma vida…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 16.09.2010 – 14.38h

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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

NÃO SEI NEM QUERO SABER!

 

Não sei nem quero saber

E tenho raiva a quem sabe!

[que me não calhe um poder

maior do que a mim me cabe!]


Se o soubesse, não dizia,

Mas em verdade o não quero

E o que, em verdade, faria

Era entrar em desespero

Pois mais perto do que julgas,

Muito mais do que imaginas,

Está o castelo das pulgas

Guardado por três meninas…


Vês que até o sei dizer?

Mas mesmo sem ter razão

Cabe-me sempre o poder

De poder dizer que não !

 

 


Maria João Brito de Sousa

 

 

 

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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

POETA É...

 

Com tanta gente vulgar

A dizer que pinta e escreve,

Aparecer um ser lunar,

Que já nem paga o que deve,

A viver da poesia,

Parece ser tão esquisito

Que se torna uma heresia

E alguém diz: - Não acredito!

Não acredito, nem quero,

Sequer, que seja verdade!

Poeta a viver no mero

Limiar da dignidade?


Artista é “gente” importante

Bem vestida e bem calçada,

Nunca esse insignificante

Sem aparência, sem nada!


Poeta é “gente” bonita,

Com carro” topo de gama”

E um livro novo, com fita,

Pousado à beira da cama…


Artista, acima de tudo,

É pessoa endinheirada!

Não aquele velho barbudo

Que pede à beira da estrada!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 -17.51h

 

 

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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

DIZ QUE DISSE

 

 

Alguma vez vós me ouvistes

Apoucar vosso trabalho

Mesmo com boas razões?

Deveríeis ficar tristes

Por apoucar o que eu valho,

Vós que, afinal, sois calões!


Este velho diz-que-disse

É um dos piores defeitos

Desta nossa humana raça,

Logo a seguir à crendice,

Ao massacre dos “eleitos”

E ao cultivo da desgraça…


Este ir e vir do café

Está-me a mudar o cariz

De cada um dos poemas

E bem pode ser que, até,

Me torne menos feliz

Ou me arranje alguns problemas…


O melhor é decidir-me

A ficar fechada em casa!

É que sou muito sensível

E acabo por sentir-me

Pior do que um bule sem asa!

[o diz-que-disse é ter-rí-vel!!!]

 

 

 


Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 15.27h

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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

CUIDADOS DOBRADOS

 

 

Diz-me alguém: - “Tu estás em perigo!

Tem cuidado, um velho amigo

Diz que o é, mas nunca o foi!”

Mas, a mim, já me não dói…

Tenho é de tomar cuidado

Não vá ele ter-se enganado

E o perigo nem existir…

Mas agradeço. A sorrir.


Podem vir dar-me conselhos

Os mais e os menos velhos,

Exibindo os próprios medos.

Eu, que não tenho segredos,

Acabo por transformar

Coisas que fazem chorar

Na própria matéria-prima

Com que teço a minha rima…


Afinal, a poesia

Não nos traz tanta harmonia

Quanto podemos julgar

A não ser quando mostrar

A chave da nossa essência…

Poetas, tenham paciência,

Sei o que estou a dizer;

No princípio… é a doer!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 04.09.2010 – 16.06h

 

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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

O MEU PREÇÁRIO

 

 

No que diz respeito às telas

E ao preço que está feito,

Não cedo nem um tostão!

O que eu senti ao fazê-las…

São amores com que eu me deito,

Valem mais do que um milhão!

Nenhuma foi concebida

Sem a estranha, absurda urgência

De quem está parindo um filho

E se a alguém eu devo a vida

É a essa incoerência

De persistir no meu trilho

Quando o mundo me pedia,

Urgentemente, o vulgar,

E as mãos mo recusavam,

Ninguém- ninguém! - poderia

Ocupar o meu lugar

Quando as telas me chamavam!


Por isso o preço das telas

Será aquele que está feito

Sem descontar um tostão

E ao pensar que vou vendê-las,

Fico amarga e não aceito

Fazê-lo a alguém sem paixão!

 


Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 17.14h

 

 

PS - Desculpem-me! Penso que já não vou ter tempo de abrir as caixas de correio...

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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

OBRAS NO TELHADO...

 

 

O telhado deste prédio

Ficou todo esburacado;

Faz chuva, chove cá dentro…

Eu não tenho outro remédio

Senão deixar que o telhado

Me dê conta do talento…

Foram horas, vão ser dias,

Tanta canseira… eu só espero

Que o telhado fique bem,

Que não dê mais arrelias…

No fundo, aquilo que eu quero

Todos vós o quereis, também…


Um chapéu de viga e telha

Toda a casa tem de ter

Pr`a se tornar habitável…

Mas se a casa já está velha

Pode sempre acontecer

Poder ser inevitável

Fazer furos, repor vigas,

Mudar telhas e caleiras,

Reforçar aqui e ali…

Se as nossas próprias barrigas

Também nos trazem canseira...

Ao menos casa… eu escolhi!

 


Maria João Brito de Sousa – 02.09.2010 – 11.47h

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